Pitada
do especialista
por Marcio BambergPor que apoiar o demitido na continuação da carreira?
É comum
empresários pensarem que, montando um pacote amortecedor da demissão, o tal cala-boca,
composto de um valor em dinheiro extra exigência legal mais extensão de
benefícios por um espaço de tempo, resolve- se o problema do colaborador demitido.
Contudo, a coisa é muito mais complexa. O rompimento de uma carreira é sempre uma
situação traumatizante. E para os dois lados.
Sem dúvida, o pacote indenizatório ameniza temporariamente o abalo
emocional e a profunda sensação de perda causada pela demissão. Mas ao se defrontar com
a realidade do mercado de trabalho, é que vão se aflorar as dificuldades para o
demitido. Vamos examiná-las.
Embora o mercado de trabalho esteja
aquecido com a retomada da atividade econômica, o demitido vai esbarrar com um grande
número de profissionais qualificados desempregados, frutos dos programas de reengenharia,
downsing e da chamada década perdida da economia brasileira. E esta gente estará
disputando as mesma posições com ele.
Em geral, os profissionais demitidos
exibem longo tempo de permanência no emprego. A proteção oferecida pela "gaiola de
ouro" da empresa embota a sua percepção mundo. A janela com que enxergam a vida
exterior é muito estreita. Freqüentemente, por fidelidade à empresa e pelo conforto da
rotina, eles recusaram convites de headhunters para examinar novas propostas de emprego. E
o mercado de trabalho simplesmente virou de pernas para ar nos últimos anos. Como ele vai
encontrar a nova ocupação antes de se esgotarem as suas reservas?
Demitir é uma tarefa desagradável,
difícil de ser conduzida. Porém, é uma tarefa cuja freqüência aumentou em função
das aceleradas mudanças por que passam os negócios, traduzidas pela globalização da
economia, avanços tecnológicos, acirramento da concorrência, fusões, incorporações e
privatizações de empresas, relocação e fechamento de unidades, queda da fidelidade
entre empregador e empregado.
Daí então ter surgido o outplacement,
criado pelas economias de mercado do mundo ocidental para fazer frente à crescente
mobilidade de pessoal.
O outplacement real
Atual no mercado um largo número de
consultorias que oferecem serviços de outplacement, na sua maioria a pessoas físicas,
aproveitamento a atual maré de desemprego. Como em qualquer atividade humana, existem
empresas mais ou menos idôneas, com níveis variados de competência e qualidade de
serviços. Diante disso, antes de avançarmos em nossas considerações, vamos conceituar
claramente o que é outplacement.
Existe nos Estados Unidos a AOCFI (The
Association of Placement Consulting Firms International), entidade que regula a atividade
internacionalmente. Segundo ela, outplacement deve ser definido como o processo
estruturado em bases profissionais, destinado a apoiar o empregado demitido abordar o
mercado de trabalho de modo organizado e disciplinado, e assim obter uma nova ocupação
do menor espaço de tempo possível, promovendo uma transição como o mínimo de trauma e
stress.
Como existe concordância dos autores com
essa definição, vamos desdobrá-las em seus vários aspectos e benefícios para a
empresa patrocinadora de outplacement e para o demitido. Comecemos pelo chamado
employability
Employability
O conceito de employability, capacidade
de emprego, tem sido uma das saudáveis discussões no meio empresarial quanto à
administração de recursos humanos. Por meio dele, a empresa avalia suas condições de
atrair os talentos adequados aos seus quadros, as oportunidades que oferece para o
crescimento profissional, as políticas de gestão de RH, inclusive as de terminação de
carreira, salários e benefícios, seus produtos e serviços, sua imagem pública, entre
outros valores.
Resumindo, estes são os fatores que
tornam a empresa empregável, atraente como ofertante de emprego na percepção da
comunidade em que opera.
Pelo lado do empregado, nós,
orientadores de carreira, enfatizamos que employability significa a necessidade da
constante revisão da sua bagagem de competências, habilidades e atitudes, sua
atualização e reciclagem de conhecimentos, de modo que seu produto profissional continue
atraente para o mercado. Enfim, que o profissional seja empregável nas empresas do
segmento em que ele milita.
Sob a óptica da capacidade de empregar,
o outplacement beneficia as duas partes. Para a empresa, revela uma atitude de
responsabilidade social para com a sua força de trabalho, ao oferecer-lhe um apoio na
religação a carreira. Além do aspecto humano da questão, o outplacement acalma os
empregados remanescentes, previne boatos no mercado e problemas com sindicatos e entidades
de classe, evita comentários desfavoráveis na empresa e arranhões na sua imagem
pública, preservando a sua empregabilidade.
Para o empregado, sob a orientação e
estímulo de um profissional especializado, ele vai ter a oportunidade de revisar sua
carreira, buscar os meios para a sua reengenharia pessoal, localizar seus novos caminhos,
e assim, continuar empregável.
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Fonte: http://www.marciobamberg.com.br |