Pitada
do especialista
por Marcio BambergE depois do pós-Doutorado?
Vamos aos
fatos: aproximadamente 2000 instituições oferecendo aproximadamente 14000 mil projetos
por ano, no Brasil, entre especializações e mestrados. Primeira pergunta: MBA ou EAN?
Bom, se for traduzir MBA (Master of Business Administration), tenho que admitir que todos
os cursos denominados de MBAs são formadores de Mestres... ou não
No "tempo do ariri", quando ouvíamos
falar que alguém tinha uma especialização acadêmica, pós-graduação, a expressão
geral era: "Ohhh! O cara é pós-graduado". Com o passar do tempo, a titulação
já não chamava mais a atenção, mas sim a quantidade. Tem gente com mais de dez
"cursos" de pós-graduação. Com a inflação de cursos, surgiram novos
rótulos, para os mesmos conteúdos, com preços diferenciados, que na maioria das vezes
são repetições acadêmicas. Inundou-se o mercado com os denominados MBAs. Mas,
fica a questão, são mestres ou não?
Aí, começou a febre dos Mestrados,
buscando justificar-se nos seis ou doze meses a mais que os cursos de pós-graduação,
MBAetc.. mas, com os mesmos vícios.
Temos um problema! A perspectiva do
marketing do ovo... O próprio mercado estimula a formação de "casca",
perdendo de vista a de gema. Não vou entrar nem no mérito do anacrônico e insuficiente
ensino fundamental ou mesmo do nível médio, percebo apenas que no ensino acadêmico,
temos a massificação de propostas em cursos de qualidade duvidosa, que estão mais para
a "ação educada" do que "educar para ação". Assisto jovens que se
formam (sic!) para o mercado e não têm a mínima ideia de onde estão pisando. Primeira
alternativa, estimulado pelo próprio mercado, partem para os MBAs e afins. Prá
que? Por que? O jovem diplomado nem "pisou no barro", que discernimento terá na
troca e/ou aquisição de "novos" conhecimentos? No passado, na minha
experiência como docente em curso de pós-graduação, vi com "os olhos que a terra
há de comer", uma jovem que no ano seguinte à sua diplomação, aos vinte um anos,
estava inscrita em dois cursos de pós-graduação, simultaneamente. Se foi para aprender,
o seu curso acadêmico foi insuficiente, agora, se foi para buscar uma especialização,
como saber o que é melhor se não experimentou nada? Afinal, o que são quinze ou vinte
mil dólares? Bom, cada um faz com o seu dinheiro o que quer. Eu viajaria!
Para reforço no que expus acima, na
minha atividade profissional, num processo seletivo, procurava um profissional de uma
determinada área. Aos vinte e oito anos, ele era formado em economia e mais oito cursos
de pós-graduação (portanto, a sua formação acadêmica não era especializada), tinha
experiência na área e a sua pretensão salarial, que justificava a posição, estava
dentro. Como o seu possível futuro chefe era americano, perguntei, como está o inglês?
Básico? Não teve tempo? Lá se foram os US$ 150 mil de salário saindo pela janela...
O próprio mercado está preparando o seu
cadafalso, pois está exigindo dos profissionais, principalmente os recém-formados, uma
carga de diplomação, que certamente não permite a vivência e experimentação do
acerto ou mesmo do erro. Certamente, estaremos correndo o risco de ter num futuro, não
muito distante, os seguidores de manual, que devido as suas posições (status), não se
atreverão a correr riscos.
Outro ponto, o "novo". Quando
se imaginam estes cursos pós-acadêmicos, acredita-se que novos temas e teorias estarão
surgindo ou mesmo novas práticas estarão sendo validadas. Sinceramente, de cada cem
dissertações ou teses, quantas são realmente úteis, quantas não passaram apenas de
cópia de livros ou manuais já existentes, quantas são realmente colocadas em prática?
Aí, temos um antagonismo do mercado: os colaboradores têm de buscar uma formação X,
como trabalham de 8/10 por dia, fazem seus cursos naqueles horários. Tempo para
estudo, ... Ah!, na hora do almoço, nas suas horas de lazer e descanso. Legal! Exercitar
ou colocar em prática aquilo que está digerindo? Nem pensar...
Justificando o título acima, para os que
não vivenciaram, lembro que não muito tempo atrás, tivemos a era dos técnicos, depois
os dos formados, os dos pós-graduados, hoje está na moda os MBAs (que deveriam ser
denominados de Especialização em Administração de Negócios EAN), Mestrados e
os Doutorados. Detalhe, conheço dois pós-Doutores(?), que estão desempregados.
Afinal, vale o esforço para diplomar ou
realizar?
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Fonte: http://www.marciobamberg.com.br |