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Pitada do especialista
por Marcio Bamberg

Primeiro emprego: é factível ou mais uma falácia?

Nos grandes discursos, os apelos às causas sociais são o "mote" para a sensibilização das pessoas, buscado o engajamento, mesmo que temporário para o alívio do desconforto cotidiano através da palavra. Depois de "apreender" com os equívocos do passado, fico mais atento às fórmulas de alento.

Quando escuto algo como o início de uma grande mobilização, com ceticismo, analiso cada palavra, cada sentido para que não fique enebriado com o estado de satisfação passageira.

Quando no ano passado, no sentido de angariar posições à favor, nunca se discursou tanto em criação de novos empregos. Cifras de cartola, gerando a expectativa de 8, 10 milhões de novos empregos, diariamente eram massificadas nos meios de comunicação, gerando perspectivas para os ingênuos e expectativas para os práticos. E, ... bom, parece que mais uma vez não havia nada programado, buscando-se paliativos no sentido de tentar minimizar angústias dos atuais e dos novos profissionais.

Noutra oportunidade, manifestei meu pensamento sobre a questão do desafio do século XXI - O emprego. Pelo que parece, infelizmente, continua atual e a tendência é a de que permanecerá como tal, sabe lá por quanto tempo. A questão do emprego (para os otimistas) e do desemprego (para os realistas), é e continuará sendo matemático! Quando ouço propostas de criação, nunca escuto sobre a manutenção. Ora, criar milhões de empregos é fácil, mas criar novos, mantendo os existentes torna-se o grande desafio.

O círculo vicioso que nos encontramos é óbvio. As pessoas vivem mais, precisam continuar a trabalhar, pois a sua irrisória aposentadoria ficou mais distante, anualmente milhões ingressam no mercado de trabalho, os experientes são substituídos pelos mais jovens, com menores salários, aperta-se o caixa da previdência, geram-se problemas sociais, atarracham as empresas e as pessoas com impostos, enfim, este "saco sem fundo" tende a ficar pior. Os discursos sobre criação de empregos não levam em consideração alguns aspectos simples: as empresas para se manterem competitivas, adotam tecnologias, dispensando pessoas, em relação há alguns anos, a oferta de mão-de-obra quase que dobrou (basta ver o perfil masculino e feminino), por conseqüência, os salários despencam, o consumo diminuí e atividades cessam.

Bom, pelo menos vamos ter o "mico-empréstimo" de seiscentos reais com juros subsidiados, e poderemos comprar carrinhos de cachorro-quente ou de pastel.

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Fonte: http://www.marciobamberg.com.br

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