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Pitada do especialista
por Marcio Bamberg

Entrevista*

LC: Como vê o mercado de trabalho para executivos do nível de Gerência e Direção no primeiro semestre de 2007?

MB: Gostaria de enxergá-lo aquecido, com muitas oportunidades, no sentido de atender a demanda latente de profissionais de todos os matizes que estão disponibilizados ou que buscam uma nova ocupação. Entretanto, como já havia manifestado em 2004, 2005 e 2006, o ano de 2007 e, principalmente o primeiro semestre, não me entusiasma, tendo em vista que se houver um breve aquecimento, o que acho difícil, a remuneração não seguirá esta hipótese. Os que me conhecem, classificam-me como altamente otimista, pois acredito em papai-noel e bicho-papão, mas as medidas necessárias para um crescente aumento da demanda de novas vagas, estão, desde há muito, aquém das necessidades e expectativas do mercado. O governo anunciou o PAC, mas entre o anúncio e a sua execução, esbarrará no malfadado processo burocrático e politiqueiro. Assim, o que poderia ser uma alternativa atraente, ficará no discurso de ocasião, como se estivéssemos às vésperas de eleições. Vivemos uma dicotomia grave, pois o mercado globalizado, muito mais ágil e barato no exterior, deixará nossos preços menos competitivos, que somada a desvalorização do dólar, fatalmente trará muitos dissabores ao mercado interno. É a sensação do barato agora, versus o muito caro no futuro. Em 2005, afirmei categoricamente que o dólar estaria abaixo dos R$ 2,20 e me taxaram de louco. Ano passado, analisando os índices econômicos, percebi que o dólar chegará a R$ 2,00 este ano. Chamaram-me de maluco de novo. Bom, o dólar já está abaixo de R$ 2,10. Se não houver um aproveitamento racional para aproveitar este momento para investimento em bens de capital, vejo muitas nuvens no horizonte. Considerando também que saímos de um ano de promessas e o governo sem saber o que fazer, creio que este primeiro semestre, na melhor das hipóteses, empatará com o semestre anterior. Gostaria de lembrar aos governantes, que "se não temos ideias de onde e como chegar, certamente, teremos todas as chances de nos perder".

LC: As mulheres executivas continuarão a ser cada vez mais procuradas em 2007?

MB: Cuidem-se meninos!!! Existe um fenômeno mundial, quando se verifica que as mulheres estão buscando o seu desenvolvimento e aperfeiçoamento profissional. Segundo as estatísticas, mais da metade dos bancos universitários estão ocupados pelas mulheres. Assim, com uma oferta maior de profissionais mulheres, a tendência é a de que ocuparão espaços dos homens. Creio que a oferta de mão-de-obra é que irá determinar o preenchimento das vagas. Não que elas sejam escolhidas em detrimento dos homens, pois o que contará será a qualidade, independentemente do sexo. Afinal, o segmento de serviços é o que absorve mais mão de obra na atualidade, exigindo mais o cérebro do que eventual força física.

LC: Se a procura de executivos vier a crescer, vamos também ter um maior numero de demissões em 2007?

MB: 1 + 1 = 2. Não tem como ser diferente. Vamos analisar: há quarenta anos, o mercado de trabalho era composto de 80% de homens e 20% de mulheres. Some-se a isso, um crescimento vegetativo de 2 milhões de jovens prontos para o trabalho a cada ano. Colocamos uma pitada de extorsão tributária, mais a necessidade de ajustes na força de trabalho para fazer frente a produtividade obtida por novas tecnologias. Depois, temos um razoável contingente de desempregados, com vários níveis de qualificações e qualidades. Bom, movimentações no mercado, sob a minha ótica, serão substituições.

LC: O que deve acontecer com o Outplacement em 2007?

MB: Infelizmente, o empresariado brasileiro em sua maioria, não compreende ou mesmo conhece o outplacement. Creio que tenha sido o pioneiro no Sul do País, lá pelos idos de 1986. A maior dificuldade era vender o conceito, pois a visão míope de muitos empresários associavam o outplacement a custo ou apenas como um instrumento do tipo "sossega leão", nas demissões. A falta de sensibilidade para perceber que se a empresa auxilia a busca de uma nova ocupação para o demissionário, ela estará auxiliando para o novo trabalho, inserindo este profissional mais rapidamente no ciclo produtivo e por consequência, no de consumo. Talvez, seja por isso que os americanos o aplicam com naturalidade. Mas, adequando a nossa realidade, creio que o outplacement terá um crescimento a partir das pessoas físicas, pois o mercado está, a cada dia, apertando os gargalos. E, percebo que, apesar de inúmeros textos e reportagens à respeito, os profissionais brasileiros, em sua maioria, não estão atentos à formação do seu network, necessitando recorrer aos "abridores de portas". Raramente trabalho na assessoria de busca de uma nova ocupação, pois o meu foco é hunting, seleção, mas sou abordado diariamente sobre o tema, pois a formulação é simples: preciso que alguém abra as portas do mercado para fazer entrevistas.

LC: Que conselhos daria ao executivo hoje mal-satisfeito com seu emprego para que pudesse disputar com boas chances os empregos de 2007?

MB: Existem as tradicionais fórmulas do mercado. De forma curta e grossa, digo: engula o sapo mais um pouco, pois o tempo médio para recolocação está aumentando ano a ano. O que durava 3 meses, hoje dura 12. Assim, antes de tomar qualquer decisão drástica, procure um especialista na área. Terá custo? Claro! Mas o passo será o mais acertado e, com uma boa assessoria, até encontrar aquela oportunidade, o sapo poderá ser preparado de diversas formas.

LC: Na sua opinião o "Coaching" (Aconselhamento de Carreira) deve crescer no futuro, como atividade de consultoria?

MB: Sem dúvidas! Também sou procurado constantemente para a atividade. Tenho percebido que pais de jovens profissionais estão mais atentos ao tema e manifestam o interesse em melhor preparar os jovens em início de carreira para o que vem pela frente. Creio que seja altamente adequado o coaching individual, como o patrocinado pelas corporações. O nível de satisfação geral é ampliado e geram as definições mais rapidamente: não quero ficar aqui ou não quero que fique aqui. As pessoas e empresas buscam melhor os seus rumos e os profissionais, quando chegarem lá na frente, poderão olhar para trás e dizer: fiz o que realmente gostava e gostava realmente do que fazia.

(*) Entrevista dada pelo Headhunter Marcio Bamberg ao Consultor Laerte Cordeiro, em fevereiro de 2007.

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Fonte: http://www.marciobamberg.com.br

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