Estourando
a Ponte
MARKETING COMO INSTRUMENTO DE VALORIZAÇÃO PESSOAL E
PROFISSIONAL
por Marcio BambergA "estória"
Você deve estar pensando que esta coisa sobre sonho, visão,
determinação, estourar a ponte só acontece em filmes ou em países do "primeiro
mundo". Entretanto, se você olhar a sua volta, poderá encontrar muitas histórias
e, se você olhar para dentro de você mesmo, encontrará todas as condições para
melhorar a sua vida, quer seja em termos de mente, espírito ou matéria. E, melhor, você
terá a sua história para contar...
Para esta edição, pensei bastante se valeria a pena tocar no
assunto. Entretanto, conversando com o Atleta, um dos protagonistas, o mesmo colocou que
uma receita sem uma demonstração concreta que a confirme, poderia cair em descrédito,
traduzindo aquela situação pasteurizada, sem emoção, enfim, como se houvesse sido
criada em laboratório, por "cientistas insensíveis". Nas suas dezenas de anos
vividos, o Atleta compreende que os obstáculos colocados a sua frente foram ensinamentos
para a vida, não estando em algum momento lamentando o acontecido.
Então, comecemos...
A "Estória" é um dos muitos casos reais de nosso
cotidiano, mas os seus protagonistas tiveram os seus nomes substituídos, para se evitar
eventuais conflitos.
... o Atleta sempre foi movido pelo risco e pelo desafio. E,
apenas para referencial, originou-se da classe média baixa, portanto, nunca teve recursos
materiais e financeiros para iniciar alguma aventura no campo dos negócios, mas teve algo
que seus pais sempre diziam - "Não podemos dar recursos palpáveis, mas daremos algo
que ninguém poderá tirar: educação e formação". E, graças a isto, o que foi
tirado do Atleta no passado recente valeu como experiência.
O Atleta é um sonhador. Ambicionou algo melhor e imaginou em uma
determinada época, a possibilidade de dividir os seus sonhos com os outros.
A realização tem como ponto de
partida a ambição! |
Em um ano qualquer, o Atleta era executivo de uma
grande empresa, levando aquela vida de exaustivo trabalho, mordomias, aparências, etc...
Graças a sua competência, o Atleta gozava de prestígio dentro da empresa em que
trabalhava. Entretanto, esta empresa numa tentativa para renovar o seu quadro, criou um
plano de incentivo para estimular os mais antigos a saírem. Como o processo foi
torturante, e por fugir, aos seus princípios, no seu entender, mal conduzido, o Atleta
começou a pensar no que aconteceria com ele quando se passassem vinte anos. Naquela
oportunidade, para os padrões da empresa, o Atleta estava há pouco tempo, não havia
completado cinco anos de casa...
Se você não for
estimulado externamente,
crie os seus próprios estímulos. |
No primeiro semestre daquele ano, o Atleta
começou a pensar e concluiu que não estaria a fim de aguardar vinte anos para passar
pelo mesmo processo. Então, após muita reflexão, analisando prós e contras, decidiu
que deveria arrumar a sua vida de alguma forma, e teve a possibilidade de realizar o sonho
de montar um negócio próprio.
Às vezes, os
sonhos são difíceis para se realizar sozinho.
Se tiver dificuldade, divida-o para multiplicar! |
Naquele mesmo ano, partilhou o seu sonho com um
colega da empresa - o Jovem, visto que os dois tinham o mesmo ideal e se afinavam em
muitas coisas. Começaram a delinear o sonho, prevendo metas, fixando prazos.
Virado o semestre, quando o Atleta e o Jovem elocubravam as suas
ideias, a Bolha tomou conhecimento de seus planos e "se convidou-se" a
ingressar no negócio. Para aceitar este autoconvite, o Atleta e o Jovem passaram aquele
mês tomando Jack Daniels para decidir se valia a pena aceitar, analisando as eventuais
contribuições que poderiam ser adicionadas, ...
Outra dica: bebida
e grandes decisões não combinam!
Pelo contrário, a ressaca pode ser insuportável. |
No mês seguinte, não prevendo a futura ressaca,
acreditando que a Bolha partilhava dos mesmos ideais, a aceitaram.
A partir daquele mesmo mês deflagraram o projeto e, ao final do
ano, estavam iniciando as suas atividades, atrás de um ideal de atender às necessidades
das empresas em algumas áreas específicas.
Como todos os sonhadores, o Atleta e o Jovem não tinham grana,
sabe como é que é... jovens casados, festas, etc. e por sua vez, devido ao tempo de casa
que tinham não fizeram jus a gratificações dadas pelo plano de incentivo oferecido pela
empresa em que trabalhavam, mas os céus sorriram e conseguiram escritório, telefone e
móveis emprestados.
Se você tem um
sonho e quer realizá-lo, não espere:
vá e faça! |
E, com quase todos pensando da mesma forma,
começaram a estender seus negócios, gerando oportunidade para outras pessoas, auxiliando
na realização de seus sonhos. Ou seja, como tinham habilidade de criar novos negócios,
convidavam pessoas que sonhavam empreender e criavam condições para as mesmas,
associando-se em novas empresas. Foi a primeira, a segunda, a terceira...
O que leva para
frente são os objetivos e não os resultados. |
Mas, algum tempo depois, os seus sonhos começaram
a se tornar pesadelos. Com a ausência do Atleta nas empresas, em função de projetos
fora de sua sede, o Jovem, lamentavelmente, os deixou por ter entrado em rota de colisão
com a Bolha (Ou sai ou morre asfixiado!).
E os negócios tinham que continuar... O Atleta se arrependeu por
não ter feito o mesmo na época. A voz interior acenava com este posicionamento, mas ele
não a ouviu...
Pela primeira vez na sua vida, o Atleta ficou com receio de
estourar uma ponte, talvez porque quisesse fazer como aquele adolescente que queria sair
de casa, sem destino...sem um objetivo estabelecido.
Consumado o fato, alguns sinais de que as coisas começariam a
mudar, surgiram. O primeiro sinal foi quando a Bolha colocou o seu posicionamento,
tentando manter o controle acionário dos negócios (a Bolha desejava 55% do negócio e o
Atleta ficaria com 45% - indecoroso, não?) Se anteriormente os três tinham a mesma
participação, qual seria a intenção atrás desta proposição?).
Sócio
minoritário é pior de que empregado,
pois nem garantia trabalhista tem. |
No país onde se desenrolou a estória, houve a
posse de um novo governo que causou o maior estrago na economia, provocando uma profunda
recessão. Já ouviram esta história, né?
Em função disto, a Bolha se ausentou (part time) por um ano
para "tocar" uma empresa-cliente dos negócios do Atleta e da Bolha, pois
naquele momento a única certeza que tinham, era de que os custos seriam mais baixos.
Aguentaram o ano como puderam. O Atleta ficou coordenando alguns
negócios e os demais sócios gerindo outros.
Chegando ao final do ano, resistiram, mas o processo societário
da empresa começou a se deteriorar, pois a Bolha começou a apresentar uma faceta até
então desconhecida. Em um determinado momento, para alguns sócios das outras atividades
dizia que tinha dinheiro para investir, e para o Atleta (além de ser sócio nas outras
atividades, dividiam em iguais condições o principal negócio) dizia que estava
encontrando muita dificuldade, pois o que ganhava mal dava para sobreviver.
Quando o resultado
passa a ser mais importante que o objetivo, alguma coisa está errada. |
Já cansado, com posturas, dissimulações e
conduções não muito claras, o Atleta buscou conselhos com amigos e um deles foi
taxativo, dizendo que a resposta estava em sua consciência e não em conselhos. Mas, por
outro lado, por não ter absoluta certeza do que estava ocorrendo, ficava preocupado com o
futuro dos outros sócios.
Na realidade, o que incomodava ao Atleta, não eram os valores
pecuniários, mas sim os valores idealizados para os empreendimentos, que começavam a
ficar comprometidos.
O stress começava a bater a sua porta. Foi-se um dente, depois
outro, ...
No último ano de um casamento que tinha tudo para dar certo, a
Bolha contou suas intenções. Que abandonaria a empresa daquele cliente para poder somar
nos negócios. Disse que iria jogar a toalha, etc., etc.
O Atleta, acreditando na Bolha, ficou feliz com a decisão, mas
algumas outras informações e omissões ainda o incomodavam.
Buscando tempo para pensar, no segundo trimestre daquele ano, com
o retorno da Bolha, o Atleta foi acompanhar a atividade de um dos outros negócios.
Caso não tivesse feito isto, provavelmente o desgaste teria sido
maior. Em conversas com outros sócios, começou a perceber o que acontecia, o Atleta,
conforme previsão do Jovem e de outros amigos, era o próximo alvo dA Bolha...
As vezes você
pensa que o seu sucesso está baseado no dos outros, mas poderá descobrir que é
justamente o contrário. |
Após reflexões e conversas com clientes-chave
sobre posturas e comportamentos, tendo inclusive visitado o controlador daquela empresa
dirigida pela Bolha, percebeu que aquela história de jogar a toalha era pura cascata,
pois para surpresa do Atleta, a Bolha havia sido exonerado por dois motivos: ausência nas
operações e falta de competência para dirigir o negócio.
Então o Atleta resolveu "abandonar" os negócios, mas
sem traçar um objetivo específico. Queria sair de onde estava, mas não tinha a
consciência para onde ir. Detonou a ponte na hora errada. Estava exatamente no meio!
Busque tempo para
tomar decisões, mesmo que haja sacrifício, especialmente se afetarem a sua vida.
Você pode estar estressado e não sabe. |
Chegaram as negociações. Que momento! O Atleta
queria ir embora, mas tinha que negociar o passe.
Em resumo, estava tão abalado com aquela situação que na
segunda empresa em tamanho, negociou pelas prestações do carro que havia comprado.
Terminado o primeiro round das negociações, faltava negociar com a Bolha. Mas, a Bolha
era seu amigo, pelo menos é o que dizia. Passados alguns dias, deprimido e desgostoso,
foi para o segundo round. Iniciaram as negociações. O Atleta estava tão transtornado
com a situação, que já não raciocinava. Queria ir embora. Talvez tenha sido a
transação mais rápida. A Bolha conseguiu o seu intento, induziu-o a uma negociação
leonina. O Atleta transferiu as promissórias endossadas da primeira empresa negociada e
assinou um recibo, sem ver a cor de dinheiro, para a Bolha. E, recebeu por tudo isto uma
máquina de escrever e as prestações da dentadura que passou a usar. O Atleta aceitou,
talvez... para evitar uma tragédia, quem sabe... ploft!
Como se já não bastasse a decisão no momento inadequado, com
um pouco de ingenuidade e sem um objetivo a ser perseguido o Atleta concluiu, para
resumir, que além de ficar sem boia, deram-lhe algumas pedrinhas para carregar no poço.
Chegou ao início do pesadelo. Sem reservas, sem ânimo,
desgostoso... "estava mais perdido do que cego em tiroteio".
Se foi difícil? - Foi uma "barra"!
De empresário bem sucedido, a situação ficou tão ruim que
acabou perdendo até o carro, já que não havia recebido um tostão.
Na maioria das
vezes, a receita para a solução de seus problemas ou está debaixo ou dentro de seu
nariz. |
Algum tempo depois, o Atleta mais descansado,
começou a enxergar o que realmente aconteceu, e concluiu que deveria fazer alguma coisa.
Em um determinado dia, arrumando seus livros e examinando os seus alfarrábios, a apostila
de um curso de estímulo ao desenvolvimento pessoal e profissional, que ministrava, caiu
no seu colo. E começou a ler aquele material, com outros olhos, e redescobriu que poderia
fazê-lo de novo.
Aceitou o desafio!
Nessa fase, concluiu também que estava num círculo vicioso:
não poderia ter um negócio porque não tinha trabalho; não tinha trabalho porque não
tinha negócio. Que abacaxi!
A dívida
controlada impulsiona o homem.
Contraia!
Você conseguirá saldá-la. |
Detonou uma ponte!
O Atleta, que era movido a desafios, começou tudo de novo, sem
recursos, mas desta vez, preparado.
Ele chega a rir, quando se lembra de que disse para a sua
"exposa", todo feliz e cheio de vontade: "- Acabei de alugar um conjunto
comercial, telefone e alguns móveis". E ela colocou: "- Posso chamar o pessoal
para interná-lo?"; Com muito esforço ele conseguiu...
O Atleta está feliz e da mesma forma que antes, em menos de um
ano, já montou três novos negócios, só com uma diferença, sem máquina de escrever e
sem bolhas.
Só para não esquecer...
- Atrevimento
- Autodesenvolvimento
- Criatividade
- Empreendimento
- Estímulo Próprio
- Facilidade de acomodação
- Firmeza de caráter
- Gosto
- Habilidade
- Humor
- Intuição
- Negociação
- Senso de oportunidade
- Percepção
- Persistência
- Projeção
- Saúde
- Sentimento do perigo
- Simplicidade
- Vigor
- Visão
Sumário
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