Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)É gente que
vale!
O ideal para qualquer empresa que se cria é começar com uma clara definição de sua
missão institucional, que conte para os seus públicos interno e externo a que ela veio e
qual a contribuição que pretende oferecer à Sociedade. É o Norte da bússola
empresarial.
A definição da missão da empresa é algo que incumbe aos acionistas, cotistas e
sócios, responsáveis pela instituição e deve ser divulgada, tão amplamente quanto
possível, para que todos os envolvidos caminhem na mesma direção.
Quando a missão não é clara ou quando poucos, na empresa, a conhecem, o andamento do
negócio pode ser prejudicado, ainda que o esforço de todos possa ser muito intenso. A
antiga charge do burrinho que puxa em todas as direções e por isso não sai do lugar,
exemplifica bem o que pode acontecer com a empresa quando falta um rumo claro.
A missão de cada empresa flui da sua história, da sua realidade, da personalidade e
valores dos seus responsáveis e dos eventos acontecidos e forjados ao longo do tempo.
Vale lembrar que embora a missão seja o grande objetivo desde o inicio - que não deve
mudar por pequenos eventos da meteorologia empresarial - no tempo ela também é sujeita
às mudanças que ocorrem ao longo da vida institucional da empresa.
É a missão da empresa que lastreia tudo o mais que acontece: a estrutura de
organização, o marketing, a tecnologia, a necessidade de capital, as definições
estratégicas, as políticas e o quadro de recursos materiais necessários.
Mais do que tudo, porém, são as pessoas da empresa que diretamente interagem com a
missão estabelecida, tornando realidade a pretensão histórica e criando as condições
para a operacionalização e a realização do seu objetivo maior. De nada adianta
conhecermos o Norte da empresa se as pessoas que nela trabalham não nos levarem lá. São
os dirigentes, administradores, funcionários e operários que tornam factível a missão
de cada empresa e que respondem pelo eventual sucesso.
Quantas e quantas empresas, na história, já se dedicaram a buscar a melhor
organização, a sofisticada tecnologia, o elaborado marketing e, principalmente, a maior
disponibilidade de recursos financeiros, para acabar tristemente em insucesso e, às
vezes, até em desaparecimento, por que não deram aos seus recursos humanos a mesma
atenção?
Não passa desapercebido ao analista atento, que mais e mais as empresas vão se
dedicando a investir em seus recursos humanos, percebendo que é por aí que se agrega um
valor essencial e é pela sua gente que esta ou aquela se diferencia no mercado e, no
final, alcança melhores resultados.
E é por causa desse novo movimento organizacional e gerencial, representado por uma
onda de conscientização da importância das pessoas, que hoje se fala de liderança,
competências, 360o. graus, inteligência emocional, pesquisas de clima,
"coaching", "balanced scorecard", desenvolvimento organizacional e
"outplacement", entre tantas outras ações, tendentes a buscar, desenvolver,
remunerar, assistir e administrar pessoas no contexto empresarial atual.
Não tenham dúvidas: cada vez menos será importante a burocracia legalista de pessoal
e cada vez mais terá destaque na administração empresarial o esforço de dotar as
organizações da gente mais qualificada e motivada que possa leva-las, continuamente, ao
cumprimento de sua missão empresarial. É gente que vale!
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |