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Pitada do especialista
por Laerte Leite Cordeiro(*)

A missão das consultorias de Recursos Humanos

As consultorias se espalham hoje por quase todos os tipos, portes, nacionalidades, ramos e locais das empresas, oferecendo orientação e serviços nos mais diversos campos de atuação. Há consultorias jurídicas, de marketing, técnicas, financeiras, de tecnologia da informação, de planejamento, organização e controle, entre tantas. A área de Recursos Humanos não fica atrás e responde, quem sabe, por um dos primeiros lugares no ranking de consultorias mais utilizadas e mais presentes nesse mercado altamente competitivo.

Em Recursos Humanos as consultorias se apresentam nas áreas de Recrutamento e Seleção (Executive Search), em Outplacement Corporativo (P. Jurídica), em Remuneração Fixa e Variável, em Desenvolvimento de Pessoal (Competências) em Administração de Benefícios, em Relações Trabalhistas, em Desenvolvimento Organizacional (Clima, Mudanças), em Aconselhamento de Carreiras (Coaching/Mentoring), em Sistemas Aplicados a Recursos Humanos e por aí afora.

Não é incomum que executivos e profissionais seniores de Recursos Humanos se devotem à Consultoria já em meio e muitas vezes ao final de suas carreiras nas empresas, aproveitando conhecimentos e experiência profissional e colocando seu talento a serviço das empresas, como profissionais externos que trazem sua contribuição transitória, ajudam a resolver problemas e depois partem em busca de novos desafios.

As grandes empresas internacionais de consultoria em Recursos Humanos já estão quase todas no Brasil, competindo com as brasileiras por um mercado que desde há muitos anos tem se mostrado crescente e lucrativo, salvo naqueles períodos em que tudo vai mal, nas crises políticas e econômicas. Como sempre acontece, as empresas originalmente brasileiras são em geral pequenas no seu começo e abrem o mercado e os espaços para as estrangeiras que vem depois, disputar conosco.

Mas se essa é uma pequena parte da história da Consultoria em Recursos Humanos entre nós e já lá se vão uns 50 anos, fica a pergunta: qual a contribuição efetiva que tem justificado a presença e a participação das consultorias junto aos seus clientes?

A realidade ensina que as consultorias em Recursos Humanos têm a sua serventia principalmente no suporte que oferecem às empresas e empresários, nos assuntos que a organização-cliente não pode administrar ou quando o faz não tem a competência necessária para fazer bem feito. A consultoria tem a virtude de trazer talento especializado e transitório, sem custo fixo, este em geral injustificável para a empresa usuária. Mais do que isso, a consultoria, principalmente em Recursos Humanos, traz a isenção, a imparcialidade e a desvinculação à cultura da organização, essenciais, muitas vezes, para a realização de trabalhos que envolvem o ambiente interno e as pessoas e grupos da empresa. Vez por outra, para alguns assuntos, a Consultoria está livre para desincumbir-se de tarefas confidenciais e sigilosas que sua cliente não poderia realizar ostensivamente.

Claro que há boas e más Consultorias, como em qualquer ramo de atividade humana. Mais qualificadas, mais responsáveis, mais éticas algumas, nem tanto outras. Haverá certamente consultorias mais cumpridoras das suas promessas e dos seus contratos, assim como as haverá menos competentes, oferecendo menos atenção aos seus clientes e poluindo o mercado. Os anos passam, as boas consultorias permanecem e crescem e os velhos "slogans" anticonsultores já são parte, apenas, de um anedotário curioso.

Aos empresários e dirigentes das empresas tomadoras desses justificáveis serviços, fica o dever de analisar e avaliar a real necessidade de contar com tal apoio externo e fundamentalmente de assegurar a qualidade técnica, o atendimento e a ética da Consultoria contratada. Aos consultores profissionais, autônomos ou dirigentes de suas consultorias resta prestar um serviço cada dia mais confiável, competente, transparente e responsável. Aí ganharão as empresas contratantes e as consultorias contratadas, as organizações serão melhor e mais economicamente administradas e se criará um campo permanente de atuação profissional, capaz de absorver, de forma institucionalizada, um largo contingente de recursos humanos juniores e seniores.

A missão das consultorias, afinal, não é a de substituir competência, conhecimentos e experiência profissional dos executivos das empresas clientes. Seu papel é apoiar, subsidiar, facilitar e promover o desenvolvimento qualitativo da gestão empresarial, contribuindo para a eficácia, resultados e lucros.

(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo, especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement.

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