Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)Precisa-se de um executivo...
Até alguns anos atrás os jornais de São Paulo exibiam 3 ou 4 cadernos, aos domingos,
recheados de anúncios de empregos para executivos. As agencias de publicidade se
esmeravam no texto e na arte, os anúncios se diferenciavam também pelo tamanho, empresas
e consultorias disputavam em numero de anúncios e frequência de inserções; as
5as.feiras eram o segundo dia "quente" da semana e um bom numero de anúncios do
domingo se repetia naquele meio de semana.
Nesse tempo já se sabia que o "network" era importante, os
"hunters" já caçavam talentos e as empresas de "outplacement" já
atuavam com sucesso na recolocação dos seus assessorados.
As empresas viviam seu melhor momento, a inflação rugia, as organizações eram altas
e largas, não se fazia economia em gente e as preocupações eram menos em sobreviver e
mais em ganhar mais dinheiro. Os custos saiam pelos canais competentes!
A partir dos anos 90, as coisas foram endurecendo e ficando mais difíceis, por força
da precariedade política e econômica do País e por força de novos conceitos e
abordagens mundiais que chegaram ao Brasil : globalização, reengenharia,
terceirização, downsizing e por aí afora. Os Planos se sucedem, reduzem-se estruturas,
cortam-se pessoas, aumentam-se impostos, cai a renda, mercados se enxugam, some o emprego.
E assim chegamos ao dramático 2003, quando, até setembro, a legião de executivos sem
emprego, sem espaço na consultoria, sem recursos para negócios próprios e, obviamente,
sem poder se aposentar, chegava mesmo ao desespero, a despeito de noticias do inicio de
grandes melhorias nacionais.
Felizmente, agora em outubro surgiram algumas pequenas luzes no fim do túnel, para
desanuviar um pouco o ambiente e trazer alguma esperança. Os anúncios de jornal
reapareceram invertendo a curva de queda, anotam-se manifestações positivas de
consultores e "hunters" quanto a pedidos recebidos dos clientes e as empresas de
"outplacement" começam a sair do "sufoco" já podendo encaminhar
candidaturas dos seus assessorados às empresas e ao mercado.
Sente-se que as coisas começam efetivamente a melhorar no plano prático e da
realidade do mercado, ainda que com certa hesitação e timidez. O desempregado começa a
ter mais esperança, o empregado mal-satisfeito já começa a sentir animado a procurar
emprego melhor e os "consultores" e os "pequenos empresários" já se
aprestam a retomar suas carreiras.
Ao executivo interessado em desenvolver sua carreira incumbirá, ainda e sempre,
definir com clareza os seus objetivos profissionais, elaborar um currículo moderno e
promocional, atuar com competência nos processos de seleção das empresas e divulgar sua
candidatura com base nos conceitos do eficaz marketing profissional. Sem esses cuidados o
executivo poderá não ter como aproveitar as novas oportunidades que o futuro próximo
possa trazer.
Se tudo correr como todos desejamos, o fim-do-ano já verá uma situação de emprego
melhorada para os executivos brasileiros, os quais todavia devem imaginar que ainda será
uma batalha em cada esquina. A legião de executivos qualificados e competentes,
disponíveis com seu talento no mercado, está aí para competir e levará tempo para a
situação se inverter. Mas já é uma grande coisa quando aparentemente o mercado começa
a se mover.
É preciso precisar de executivos...
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |