Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)Como lidar com a
resistência das pessoas às mudanças que as afetam
O mundo de nossos dias vive constantes mudanças, com as quais todos temos que conviver
e às quais devemos nos adaptar , sejamos governos, empresas ou pessoas. São mudanças
econômicas, sociais e tecnológicas, a demandar ajustes e adaptações, que devem ser
feitos muitas vezes sem tempo para a recomendável maturação.
Nas organizações empresariais, mudam as estratégias, as políticas, a tecnologia, os
organogramas, os quadros e as competências necessárias para o alcance dos objetivos de
sobrevivência e crescimento, num esforço continuo de compatibilizar.
CONTEXTO EXTERNO E REALIDADE INTERNA
Nas pessoas observam-se mudanças nas expectativas, nos objetivos, na motivação, nos
costumes, nos gostos e nas competências, entre tantas outras mudanças, num processo
continuo de adaptar condutas e comportamentos de vida diferentes a cada dia que passa.
A RESISTENCIA ÁS MUDANÇAS
Os processos de mudança que ocorrem internamente nas empresas nem sempre são aceitos
com passividade e tranquilidade pelas pessoas. Não é só porque as mudanças são
naturais e necessárias que serão aceitas, sem contrariedade e reação, por parte dos
indivíduos e grupos afetados por elas. Autores clássicos como Mayo, Roethlisberger,
McGregor, Zander, Schein e muitos outros já deram atenção a este importante tema da
administração de pessoas.
Quando se percebe que as coisas não vão bem, depois de uma mudança introduzida no
ambiente de trabalho, é preciso que o agente de mudança estude a reação das pessoas ou
grupos, para saber o que está enfrentando.. A determinante do fenômeno social da
resistência a mudanças, em qualquer situação envolvendo indivíduos e grupos, é a
constatação de que o comportamento deve estar tentando proteger as pessoas envolvidas,
das consequências e implicações da mudança introduzida.
O comportamento daqueles que resistem pode tomar varias formas. Pode tomar a forma de
reação disfarçada e passiva ou de hostilidade aberta. A agressividade da resistência
pode ser dirigida para a mudança em si ou para aquele ou aqueles introdutores da mudança
resistida. "Sabotagem", "operação tartaruga", falta de motivação,
baixa produtividade, custos crescentes, pouca colaboração, apatia e formação de
"panelinhas", entre tantos outros, podem ser sintomas de resistência a alguma
mudança introduzida sem maiores cuidados.
TERRENO FERTIL PARA A RESISTENCIA
Algumas condições são extremamente favoráveis para o aparecimento da resistência
às mudanças. São elas:
- pode-se esperar resistência se a mudança introduzida ou
pretendida não estiver clara para quem vai ser afetado por ela.
- pode-se esperar resistência se as pessoas a serem afetadas forem
obrigadas a aceitar as mudanças decididas "de cima"
- pode-se esperar resistência das pessoas afetadas se as mudanças
forem introduzidas com base em razões pessoais (na opinião do Chefe) e não impessoais
(no interesse da Empresa)..
- pode-se esperar resistência se as mudanças a serem introduzidas
ignorarem instituições grupais ("cultura da Casa", tradição, costumes)
EVITANDO OU REDUZINDO A RESISTENCIA
Ainda que sempre correndo o risco de enfrentar a resistência de indivíduos e grupos a
mudanças a serem introduzidas, certos procedimentos por parte do agente de mudança podem
ser úteis para evitar ou pelo menos diminuir os problemas surgidos Vejamos:
- a resistência a mudanças poderá ser evitada na medida em que o
agente de mudança auxilie os que serão afetados por ela a compreender sua necessidade.
- a resistência diminuirá na proporção em que as pessoas
afetadas tenham a oportunidade de reclamar e "desabafar" abertamente sobre a
mudança introduzida
- a resistência pode não ocorrer ou ganhar pequenas proporções
se as pessoas afetadas participarem da definição do caráter e da forma da mudança a
ser implantada.
- a resistência será menor na medida em que as pessoas a serem
afetadas pela mudança puderem participar do levantamento dos fatos que justificam a
mudança pretendida.
Em resumo, a resistência a mudanças é um fato social com o qual os agentes de
mudança tem que se haver para alcançar êxito em suas tentativas de promover as
mudanças hoje tão naturais e necessárias. Nas empresas, os chefes, em todos os níveis,
deverão estar atentos aos acontecimentos para poder líder com sensibilidade e eficácia
com as implicações da resistência. É importante lembrar, porém, que muitos chefes já
perderam seus empregos por não estarem conscientes e preparados para bem desempenhar essa
sua prioritária função como introdutor de mudanças. Em verdade o cemitério
empresarial está cheio de agentes de mudança fracassados.
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |