Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)Empresas doentes
Empresários e dirigentes experientes sabem bem que as empresas alternam bons e maus
momentos ao longo do seu ciclo de vida. Como qualquer organismo vivo, elas tem momentos de
saúde plena, quando tudo dá certo, os resultados aparecem, o dinheiro se ganha, o clima
interno é ameno, as pessoas buscam suas realizações e o ambiente de trabalho é
saudável e cordial.
Há, porém, aquelas fases em que nada dá certo e se sente que alguma coisa não vai
bem, mas é difícil caracterizar o mal-estar, porque os sintomas são difusos e pouco
claros ao observador menos treinado.
Com base em excelente trabalho de Fordyce e Weil, em seu livro "Managing With
People", é possível ajudar o administrador interessado a avaliar o estado geral de
sua organização para depois dar a ela o tratamento de que carece para voltar aos seus
melhores momentos. Abaixo, alguns sintomas de uma empresa de saúde abalada:
- A não ser os dirigentes, nos escalões mais altos, as pessoas que
trabalham numa empresa doente não estão "ligadas" nos objetivos da empresa.
- Elas vêm as coisas indo mal e ninguém se mexe.
- Ninguém se oferece como voluntário para nada.
- Os erros cometidos são habitualmente escondidos ou abafados.
- Os problemas da empresa só são discutidos fora da empresa ou do
trabalho.
- O status dos indivíduos e dos grupos e as posições no
organograma são mais importantes do que os problemas da Empresa.
- O relacionamento entre as pessoas é formal e frio.
- Por alguma razão, as políticas, instruções e ordens não
parecem ser cumpridas como devido.
- Sentimentos e anseios pessoais são vistos como de importância
secundária.
- As pessoas competem ao invés de colaborar. São muito ciumentas
de suas áreas de responsabilidade. Ninguém oferece ajuda e pedi-la é inconcebível.
- Quando acontece algum problema, todo mundo se encolhe, olha para o
outro lado e culpa os outros.
- O conflito é geralmente camuflado.
- As pessoas não pedem ajuda aos colegas para aprender com eles e
é preciso aprender com os próprios erros. A experiência dos outros não vale. Não se
dá "feedback".
- As relações entre pessoas são contaminadas por rótulos e
aparências. O "outro" é sempre uma ameaça.
- "Vivo" é quem não corre riscos. Não se faz, não se
erra.
- Os chefes precisam controlar tudo muito de perto, para garantir
resultados
- O Organograma e os procedimentos administrativos embaraçam a
organização ao invés de ajudar.
- Viva a tradição! Mudar, nunca!
- "Não tenho nada com isso. A responsabilidade por salvar o
navio é "deles" !
A lista dos sintomas poderia continuar, mas qualquer empresa que apresente este perfil
está, decididamente, precisando de socorro urgente. É claro que nem sempre os sintomas
são tão claros e evidentes e nem sempre a organização sofre de todos este males ao
mesmo tempo. Mas é preciso que os dirigentes estejam permanentemente atentos para o que
vai pelos corredores e salas, para que possam agir assim que percebam que os problemas
vão aparecendo.
Freqüentemente, o maior problema não está na lista acima e, sim, nos próprios
dirigentes, que ficam cegos para os acontecimentos porque estão imersos no dia-a-dia e/ou
que não tem sensibilidade ou experiência suficiente para perceber a gravidade das
situações que vão surgindo e nada fazem até que sua empresa fique muito doente.
Por isso, hoje em dia, é muito comum que o Empresário-Administrador ou o Dirigente
"número 1" da empresa se valha de um "Coach" profissional externo que
possa ajuda-lo a enxergar situações, a analisar em conjunto os problemas e com quem
possa confessar suas percepções e dúvidas. Existem, também, consultores externos
especializados em Desenvolvimento Organizacional, que podem ajudar os dirigente a
diagnosticar e tratar dos seus males, buscando trazer de volta a saúde à organização.
O importante é não deixar de continuamente olhar para a organização e para o que
está acontecendo com ela. O mundo gira e o que estava bem ontem, pode estar fraco hoje e
doente amanhã. Ao dirigente qualificado incumbe estar permanentemente atento, criando as
condições essenciais para a manutenção da saúde organizacional de sua empresa.
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |