Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)A busca do novo emprego
O mundo não vai ficar cor-de-rosa de repente.
2005 foi uma previsão brilhante que não se realizou, mas nem por isso foi um ano
trágico. As primeiras semanas de 2006, estão sendo oneradas pelo calendário de férias
e das festas de fim de ano, mas todo mundo espera que a coisa pegue, já, já.
O importante para os executivos e profissionais que estão disponíveis
no mercado ou para aqueles que aguardam a oportunidade de um novo emprego para crescer
hierárquica e salarialmente, é estarem preparados para o momento em que todas as
notícias positivas que correm pelos noticiários se tornem oxalá realidade
e as empresas voltem com seus recrutadores ao mercado de trabalho, buscando profissionais
qualificados para as novas posições em aberto.
A sugestão é que cada um use, este começo de ano ainda um pouco
morno, para desenvolver seu projeto de recolocação, seja com seus recursos e
conhecimentos pessoais, seja contratando serviços de uma boa empresa de consultoria de
orientação e apoio especializado.
Em qualquer hipótese, a corrida aos seus "padrinhos",
componentes do seu "network", deve começar já, para que haja tempo para que
seu nome e candidatura já estejam sobre as mesas certas e nos adequados bancos de
currículos, quando a busca intensa começar.
Claro que para divulgar a candidatura tem-se que elaborar um currículo
que descreva corretamente os seus ativos profissionais e reflita adequadamente a sua busca
no mercado. O currículo é um instrumento importante para se colocar o "pé pra
dentro da porta" nas empresas de interesse, ainda que todos nós devamos lembrar que
o melhor currículo não dá, por si só, emprego para ninguém, mas que um currículo mal
posto, pode eliminar boas chances.
Não nos devamos esquecer, também, que os executivos e profissionais
de nível que estarão competindo no mercado e sendo avaliados, todos eles já
entrevistaram dezenas de pessoas em suas funções no passado. Só que agora, como
candidatos, sentam-se à frente da mesa do entrevistador e precisam ser tranquilos,
estáveis, bons comunicadores, não cometer gafes maiores e saber contar bem suas
histórias para os avaliadores. Essa transição de posições nem sempre é fácil
naturalmente e é preciso também se preparar para essas situações de tensão.
Se bastassem estes cuidados para que os empregos chovessem, não
haveria mais com que se preocupar; só que até aí foi realizada apenas a tarefa
preparatória, que organiza a entidade Candidato, para poder se apresentar ao mercado.
Daí para frente há toda uma estratégia mercadológica a ser
desenvolvida a partir de ações táticas que devem chamar a atenção das empresas-alvo
para o Candidato. Além do "network" do qual já falamos, há os
"headhunters" que recrutam para seus clientes e que precisam ser contatados, os
anúncios de jornais que precisam ser verificados a cada semana, os portais de emprego da
Internet para expor currículos e saber de vagas e a "velha" mala-direta para as
empresas de interesse do Candidato.
Dá pra perceber que quem está no mercado em busca de emprego ou de
alternativas ao emprego que tem, janeiro não é mês de férias. É a hora da batalha, da
competição, do investimento pessoal, do esforço de cada um. É, se tudo correr bem, a
madrugada do momento em que as forças do mercado irão se entrechocar. Empresas buscando,
profissionais também.
O importante, a esta altura, é que cada executivo ou profissional
verifique seus apetrechos de busca, refaça ou aperfeiçoe suas ferramentas de procura e
saia para a luta. Se deixar pra depois, pode-se chegar atrasado e as coisas boas acabarem
nas mãos dos outros. Como já dissemos há algum tempo atrás, pode-se correr o risco de
perder o bonde do mercado.
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |