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Pitada do especialista
por Laerte Leite Cordeiro(*)

Acho que já basta!

Faz anos que os articulistas, colunistas e jornalistas que escrevemos sobre o mercado de trabalho para executivos ficamos analisando, pesquisando, buscando noticias e informações que nos permitam saber um pouco mais e melhor sobre o que acontece e irá acontecer com o emprego para chefes, gerentes e diretores neste nosso sofrido e querido País.

É difícil ajudar nossos leitores orientando-os, recomendando condutas e práticas, dando-lhes esperanças ou negando-as, tendo em vista que não há qualquer controle de variáveis que permita interpretações e projeções mais tranquilas e estáveis. É muito complicado. As bolas de cristal vivem embaçadas, por esta ou aquela razão. Tinha razão o antigo Ministro: planejar no Brasil é difícil!

Depois de um 2004 de bons resultados, o muito esperado 2005 foi um desastre e apenas repetiu os números de recrutamento de executivos do ano anterior, diante de uma conjuntura política nacional insegura, instável e de mau-gosto. Especialmente porque a simples repetição dos números certamente coloca em disponibilidade mais profissionais de um contingente que a cada ano mais cresce; não conseguimos fazer os espaços de que precisamos para dar empregos aos nossos executivos de nível médio e sênior. Assim a legião dos executivos desempregados ou mal-empregados cresce a cada dia.

Nosso entendimento é o de que o mercado é fraco porque as empresas – salvo as honrosas exceções de sempre – continuam inseguras, econômicas, pobres de recursos para investir em seu Capital Humano, deixando sempre para depois as decisões que envolvem trazer mais gente, buscar gente mais competente, oxigenar o sangue organizacional, motivar pessoas, crescer, enfim.

O curioso de tudo isso é que parece que vivemos dois paises,simultaneamente: um que é falado no Exterior, que arrebenta recordes econômico-financeiros; que paga suas contas antes do vencimento, que é superavitário nos seus negócios internacionais, que tem risco baixo, dólar baixo, Bolsa alta e assim por diante.

O outro Brasil que é o das pobres empresas nacionais – pequenas e médias - , das famílias, de uma classe média empobrecida, da falta de dinheiro, da dona de casa que compra menos ou compra produtos de 2a. linha, da montanha de impostos, da falta de escolas, da saúde pública precária, do PCC e tudo mais. São dois planos de análise: enquanto o macro vai de vento em popa, o micro fica cada vez mais difícil.

Do paradoxo Governo rico e povo pobre,a nosso ver, decorrem as dificuldades observadas no mercado de trabalho que não ata nem desata, é sempre morno, dando a impressão que vai crescer e estourar, mas nunca acontece. Basta! Agora é a hora de se dar um arranque neste País continente, de quem sua própria população diz que poderia ser um dos mais ricos e importantes do mundo, mas que fica sempre pensando no futuro e sempre sofre no presente. Já enfraquecemos o povo e as empresas através da política tributária, de forma mais que suficiente. Já entesouramos muito dinheiro nas "burras" do Governo e já enriquecemos demais alguns segmentos beneficiados. O que adianta os Bancos terem muito dinheiro para emprestar fácil e depois o cidadão e a empresa não terem como pagar? Como falar de se pagar impostos quando o dinheiro arrecadado é desviado para negociatas excusas ou para comissões, "caixinhas" e "mensalões"?

O problema é que não se vê no horizonte político-administrativo deste país, nenhum líder – até nisso estamos fracos – nenhum partido e nenhum grupo que pareça ter essa visão do arranque. Por isso tudo, o País vai se arrastando, de uma crise política para outra, sem que ninguém assuma a Pátria, a Bandeira, o Orgulho Nacional.

Se não caminharmos por uma nova trilha de desenvolvimento, mesmo que a risco de uma pequena inflação lubrificadora, não sairemos do marasmo em que nos encontramos, sempre a procura de uma luz no fim de um túnel como o burro que puxa a carroça procurando morder a maçã que nunca alcança.

Em verdade, só quando começarmos um processo efetivo de crescimento para todos os setores é que poderemos imaginar um mercado de trabalho para executivos mais florescente e menos árido. Aí, quem sabe, nós outros, consultores, possamos analisar, avaliar , projetar e recomendar ações mais concretas de busca de objetivos de carreira para os nossos profissionais. Por ora, enquanto as coisas não mudarem, assim não dá!

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(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo, especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement.

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