Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)Reabre-se o ano
Embora todos nós ainda estejamos sofrendo o triste momento da eliminação do Brasil
na Copa do Mundo, é preciso lembrar que a festa acabou e que é preciso trabalhar,
reagir, voltar a lutar pela vida, pelo negócio, pelo emprego, que é do que o País e os
brasileiros tanto precisam.
Um primeiro semestre morno, certamente onerado entre outras coisas - pelo
desligamento nacional provocado pelo futebol, não criou ainda empregos em número e
qualidade suficientes para abrigar a legião de executivos e profissionais de nível, que
estão desempregados, nem àqueles que, empregados, procuram alternativas para melhorar as
suas carreiras.
Depois de 2004, um ano com o qual todos nós ficamos felizes porque representava, quem
sabe, o retorno do emprego e a retomada de carreiras murchas, 2005 foi pobre, nada mais do
que mantendo os números do ano anterior. Também, com o episódio do Mensalão e todas as
suas decorrências, não podia ser diferente. O fato é que outra vez voltamos à gangorra
do mercado de trabalho para executivos.
A nós parece que é preciso passar a conviver com a situação até que aconteça, de
verdade, alguma coisa nova neste País. Ou entramos num período de crescimento,
aumentando o número de empresas, trazendo novas empresas internacionais ou criando
condições para a expansão das empresas que aqui estão ou continuaremos a conviver com
um mercado insuficiente para abrigar os homens e mulheres, jovens e veteranos que a cada
momento são lançados no mercado abrindo suas carreiras ou competindo pelos espaços já
ocupados.
O que parece claro é que o emprego para executivos vai ficando, cada vez mais, na mão
das empresas pequenas e médias, principalmente destas, já que as grandes, nacionais ou
multinacionais, parecem caminhar para a redução de quadros, seja para reduzir custos,
seja por força de novas tecnologias, seja porque assim decidem as matrizes fora do
Brasil, seja porque os negócios efetivamente não vão tão bem.
O ano de 2006 parece que reabre, neste segundo semestre, depois de uma parada para o
carnaval futebolístico. O 30 de junho, ultimo dia do 1o. semestre, foi também o dia em
que o sonho acabou. Esperamos a volta da aceleração dos motores nacionais neste segundo
semestre, ainda que sempre um pouco amedrontados com as férias de julho, a semana da
Pátria, as eleições nacionais e o Natal.
Ao executivo que quer mudar de emprego e, pior, para aquele que está desempregado,
resta saber que o mercado não está com essa bola toda, cada vaga nova é objeto de uma
competição acirrada e que é preciso buscar e lutar com tudo que se tem de forte e
positivo para se alcançar o que se quer.
O "network" de cada um se torna a cada dia mais importante para abrir as
portas desejadas, os "headhunters" precisam saber que cada um existe e o que
busca, os sites de empregos devem ser acompanhados e os jornais de domingo continuam a ser
leitura cuidadosa e obrigatória. Se o executivo sente que precisa de orientação e
apoio, que procure uma boa empresa de outplacement particular (recolocação), com cuidado
para não cair nas mãos de qualquer um.
Mais do que tudo, ao executivo que procura emprego, a sugestão é para que faça uma
autoanálise de sua empregabilidade. E se a resposta não for plenamente satisfatória,
pegue os seus pontos menos fortes e vá buscar ajuda, para melhorar sua competitividade.
Julho abre o 2o. semestre e reabre o ano para negócios no mercado de trabalho para
executivos. Não se deve esperar muita coisa e a luta continuará sendo dura. Ganha quem
estiver mais preparado para disputar e quem tiver a sorte do seu lado. Que sempre ajuda!
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |