Pitada
do especialista
por Laerte Leite
Cordeiro(*)Coaching: um velho novo
caminho.
Mais uma expressão do jargão empresarial
americano e que significa ouvir, orientar, aconselhar pessoas e profissionais na direção
de carreiras mais amenas, realizadoras e eficazes.
O Coaching é uma atividade individual, onde um
"Coach" o Conselheiro - trabalha com um "Coachee" o
Cliente inicialmente no reconhecimento, análise, avaliação e diagnóstico dos
problemas e situações trazidas, para depois, em conjunto, definir e encaminhar ações
dirigidas para as soluções mais eficazes.
São candidatos naturais ao Coaching, pela
própria natureza dos seus contextos profissionais, os executivos de todos os níveis,
idades e área de atuação. Percebe-se uma presença cada vez mais freqüente das
mulheres profissionais nos escritórios dos Coaches, porque mais e mais elas vêm atuando
em posições que as levam a situações de tensão e conflito em suas carreiras. E os
jovens, que muitas vezes sofrendo a necessidade de ter que tomar decisões importantes
para seu futuro profissional precisam de uma orientação para suas decisões pessoais.
Não se deve entender o Coaching como terapia num
sentido estrito do termo e a atividade não deve ser confundida com tratamentos de
qualquer espécie. Não é Psicologia, nem Psicoterapia, nem Psicanálise. Em muitos
momentos, pode até ocorrer uma constatação conjunta do Coach e do seu Cliente, que um
apoio profissional naquelas áreas possa ser adequado para encaminhar soluções para os
problemas profissionais levantados. Nesse caso, o Coach deixa o palco, para o ingresso do
profissional adequado.
São muitas as situações que podem levar o
Cliente a precisar do apoio de um Coach e algumas delas, em nossa prática, são muito
comuns:
- o freqüente esquecimento nas promoções na empresa;
- a preocupação com a perda do emprego;
- um difícil relacionamento com o superior imediato;
- a falta de desafios na empresa atual;
- a não participação em decisões que o afetem;
- uma carreira que não anda para a frente;
- a chegada de uma idade mais sênior;
- a convivência com as 3 jornadas femininas;
- a dúvida quanto à empregabilidade;
- o que estudar para garantir um futuro profissional;
- dúvidas sobre a capacidade de liderança;
- competências a desenvolver;
- problemas entre sócios;
- manter a pequena empresa ou voltar à carreira;
- e muitas outras mais...
O trabalho profissional de um Coach presume um
currículo que mescle experiência de vida pessoal e profissional, com uma formação
educacional compatível com o nível dos problemas a tratar e com a responsabilidade para
com os seus Clientes. Não se espera, necessariamente, uma graduação em Psicologia ou
Pedagogia, mas certamente se deve poder observar no currículo um interesse forte pela
área de Recursos Humanos e Gestão de Pessoas, manifestada em cursos e especializações.
A vivência de situações e problemas no ambiente de trabalho é fator de sucesso para o
Coach, especialmente quando acoplada à ocupação histórica de posições na alta
hierarquia de empresas e organizações. Finalmente, talvez a coisa mais importante para o
Coach é de que ele deve saber ouvir; ao Coach não incumbe pontificar, mas sim atuar
junto ao seu Cliente, contribuindo, antes de mais nada, com "um ombro amigo" que
facilite a comunicação e a troca de experiências e vivências.
O Coaching hoje em dia virou moda e as mensagens
mercadológicas ficam por conta das consultorias, conferencistas e articulistas da hora:
Coaching para Liderança, As Competências e o Coaching, a Chefia e o Coaching e assim por
diante, estabelecendo-se uma certa confusão de entendimento. Não se deve confundir a
atividade de Coaching com a atividade de Treinamento e nem os cursos que preparam
supervisores, gerentes e diretores para administrar ou gerenciar pessoas com o Coaching. A
nosso ver o Coaching é individual e como já vimos, não tem um objetivo de ensinar ou de
instruir.
Sem dúvida seria muito bom se todo Chefe pudesse
ser um competente coach dos seus subordinados: mas como se isentar e imparcializar para
fazer o trabalho necessário? Há muitas dificuldades a superar e não cremos na
viabilidade desse arranjo. Claro que a adoção de uma atitude positiva de interesse pelos
problemas dos subordinados é recomendável para qualquer chefe. Mas atuar como Coach não
parece ser eficaz. Melhor seria que o Departamento de Recursos Humanos da empresa
dispusesse de profissionais que pudessem fazer esse papel; mas nem sempre há
profissionais competentes ou com as condições necessárias para esse trabalho. E até
porque muitas vezes o Departamento de RH pode não ser visto como isento ou imparcial e,
afinal de contas, representa a Empresa que pode ser o problema do funcionário a ser
ouvido.
Quem já não precisou de um ouvido simpático e
qualificado para ouvir nossos problemas? Aqui ou acolá, todos nós e qualquer um de nós.
Na sua essência o Coaching não é novidade,
traduzido para Aconselhamento de Carreiras ou não e pode ser um apoio importante para a
empresa que quer manter os seus colaboradores nas melhores condições de atuação ou
para os indivíduos, que sentem precisar de ajuda para crescer na vida profissional e
pessoal.
Mas se não é novidade, ainda bem que ganha entendimento e
utilização para o benefício de todas as partes, indivíduos e empresas. Pode-se até
dizer que é um velho caminho, novo...
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |