Brasil   
 
O toque profissional
na inteligência corporativa

Meu trabalho

 
Coração de caçador
O caçador
O talento na caça
Solidão empresarial
Sala de troféus
Talentos indicados

Sua carreira

 
Pitada do especialista
Colunistas
Diário de Bordo
Estourando a Ponte
Revise sua carreira
Utilidades

Interatividade

 
Oportunidades
Cadastros
Concursos
Eventos & Cursos
Paredão do desabafo
Amenidades

Google

  NA WEB
  NO SITE

Página inicial
Pitada do especialista
por Laerte Leite Cordeiro(*)

A zona de conforto

Fala-se muito, atualmente, sobre a chamada "Zona de Conforto", aquele momento da carreira em que as coisas estão sob controle, com um bom emprego, um bom chefe, um salário confortável, uma boa empresa, perto de casa e sem muitos riscos, sem excesso de trabalho e, mesmo que não seja muito entusiasmante , também não é muito estressante.

Quando se vive na "Zona de Conforto" as cobranças não são muitas, não há muito que se investir, não é preciso buscar desenvolvimento à custa de sacrifício pessoal e da família, não se investe muito em informações ou relacionamento, quase não se viaja a serviço.

A vida profissional é tranqüila ainda que trabalhosa e o que era bom ontem, ainda vale para hoje e não se espera seja muito diferente no futuro previsível. Conhece-se o jeitão do chefe e dos colegas, conhece-se bem a "cultura" da Casa e não há surpresas.

Claro que a "Zona de Conforto" não acontece para quem chegou à Empresa recentemente e, em geral, é preciso contar alguns anos de serviço na Casa, para poder ingressar nessa ambicionada situação, objetivo de muitos executivos profissionais.

Aparentemente, portanto, a "Zona de Conforto" sería o grande objetivo profissional para todos os executivos, os quais conviveriam com ela, felizes da vida e sem maiores preocupações.

Mas, será mesmo assim?

De repente um "Board" toma uma decisão na Filadélfia, o antigo dono da Empresa se afasta, os Sócios decidem vender a Empresa, o Chefe antigo é trocado por um novo - um estranho -, o Mercado muda seus hábitos, a Inflação retorna, uma nova Lei passa e a "Zona de Conforto" vai para o espaço.

Inesperada e rapidamente, tudo aquilo que era tão bom e confortável desaparece e a vida funcional passa a ser preocupante. Mantem-se, talvez, o emprego, mas a nova Administração agora quer saber quem ficou escondido atrás da geladeira do escritório, vivendo um "bem bom" profissional que não podia mesmo durar. Os novos chefes agora querem mudar, para mostrar serviço ou para crescer e desenvolver a empresa, ou ambos, e não querem saber de histórias tristes.

A "Zona do Conforto" passa a ser palavrão e quem viveu nela, com graça e alegria, agora se assusta e se preocupa, porque facilmente pode passar a ser visto como um

dos "dinossauros" da organização, herdados da gestão anterior. E o que se dizer da empregabilidade de cada um? Sem estimulo, sem cobrança, sem algum stress, vivendo no clima gostoso da "Zona de Conforto" talvez se tenha ficado para trás e o valor de mercado de cada um tenha caído sensivelmente, face às expectativas da vida fora da empresa.

Claro que enquanto se está na empresa e se conseguiu manter o emprego, tudo talvez ainda possa ser corrigido para se conseguir ficar à altura das novas expectativas; mas, e se no processo de mudança o executivo perder seu emprego? Agora, não tem mais "Zona de Conforto", nem emprego, e agora é preciso fazer um Currículo às pressas porque nem era preciso ter um e não se sabe muito bem o que vai se colocar nele.

Provavelmente se for para descrever os tempos da "Zona de Conforto" o mercado nem vai querer saber. O Inglês que não se quis aprender, os cursos de aperfeiçoamento que não se fez por "falta de tempo"; o conhecimento modesto da Informática, os livros que não se leu, as revistas de atualização que não se assinou, as feiras e congressos dos quais não se participou, o "network" no qual não se investiu, tudo agora passa a ser

cobrado e nenhuma outra empresa vai querer saber da sua "Zona de Conforto".

A culpa pela manutenção de "Zonas de Conforto" para os profissionais de uma empresa, ao longo do tempo, não pode apenas ser atribuída a cada executivo individualmente. Em um grande número de casos é muito mais da Empresa, a qual certamente olhou só para o presente de curto prazo e perdeu de vista a visão estratégica do horizonte e do futuro.

A Organização que permite aos seus executivos e funcionários viver a "Zona de Conforto" como descrita aqui, ao longo do tempo irá, muito provavelmente, caminhar para uma situação frágil em todos os sentidos e, no tempo, terá mesmo que sofrer mudanças drásticas.

A grande recomendação parece ser a de que quando a Empresa ou os seus Executivos estão muito tranqüilos, embalados pela gostosa modorra das suas "Zonas de Conforto", é hora de fazer estremecer as estruturas antes do fim chegar.

O Mundo como ele é hoje, caracterizado pela mudança contínua e difícil, não permite, às empresas, o luxo de ter os seus executivos vivendo em "Zonas de Conforto". E, menos ainda, permite, a cada executivo profissional, a gostosa, mas essencialmente perigosa "Zona", muito mais "de Risco" do que de "Conforto".

(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo, especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement.

Voltar

 

| Favoritos | Recomende | Imprima esta página | Adicionar aos favoritos | Política de privacidade | Contato |
   Copyright©1995/2008 - Marcio Petersen Bamberg