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Pitada do especialista
por Laerte Leite Cordeiro(*)

A importância do network na recolocação

Acompanhando de perto a dinâmica do mercado de trabalho para executivos nos últimos 25 anos, constata-se que a "Rede de Contatos", "Círculo de Relações" ou como já nos acostumamos a usar, o "Network" dos profissionais, é fator preponderante nos processos de transição de carreira ou recolocação.

Curiosamente, porém, o que se observa é que os executivos profissionais têm grande dificuldade para lidar com esta importante via de divulgação de suas candidaturas no mercado, queixando-se, quase sempre, de sua falta histórica de investimento nas relações profissionais e, consequentemente, de uma falta de relacionamentos que possam trazer ajuda na hora da busca do novo emprego. De outro lado, um grande número de profissionais também se diz menos competente para o contato com as pessoas/profissionais de suas relações, entendendo-se pessoalmente constrangidos no processo de busca de apoio e ajuda para obter oportunidades a partir desses contatos inestimáveis.

É voz corrente, no mercado, que entre 40 e 50% das contratações de executivos ocorridas, devem-se a indicações e recomendações recebidas pelas empresas, sendo as demais oriundas de "headhunters", anúncios de jornais, empresas de recolocação e dos próprios arquivos de antigos candidatos das empresas.

Dessa forma, deixar de lado as pessoas do seu "Network", nesse momento difícil, em que o executivo desempregado ou ávido para mudar de emprego, tem que utilizar todos os seus recursos para voltar a trabalhar – lembrando que cada dia desempregado é um dia perdido sem volta – é pecado capital para qualquer candidato a recolocação.

Infelizmente, porém, há profissionais que mesmo desempregados mantêm-se num pedestal e não acham adequado descer dele, nem mesmo nos momentos mais críticos de carreira. Entendem que seus currículos são tão bons que não é possível que as empresas ou heahunters não se apercebam de que eles estão no mercado e disponíveis para serem contratados! Como mencionamos acima, há também aqueles que se sentem inferiorizados pelo momento de transição de suas carreiras e por timidez ou vergonha, deixam de se divulgar por este meio tão eficaz de recolocação. Há também o caso daqueles que, estando empregados, tem medo da divulgação de sua candidatura no mercado, imaginando que antes de encontrarem uma alternativa poderão ser desligados pelas suas empresas atuais (o que até pode acontecer, mas não há candidaturas sem risco).

Para aqueles que entendem não ter um Network suficiente ou competente para ajudá-los no processo de divulgação e eventual recolocação aqui vai uma sugestão de procedimento que mostra que depois de alguns anos de carreira e de vida pública, todos nós podemos montar um network eficaz para buscarmos um novo emprego:

Numa madrugada insone ou num fim de semana tranquilo, sente-se ao computador e faça uma longa relação de todas as pessoas que V. conhece;

De posse da relação de nomes de todos os seus amigos e conhecidos, faça uma triagem de quais deles, se V. precisasse de uma ajuda, viriam em seu suporte de coração aberto;

Embora a relação original agora tenha certamente se encurtado significativamente (o que acontece prá todos nós) selecione, dentre os remanescentes, aqueles que transitam no nível e nas empresas que lhe interessaria contatar;

Os nomes que ficarem na relação assim triada – e imagine que não serão muitos – constituem o seu network efetivo, aqueles que, no mercado, se solicitados, serão os seus porta-vozes, os seus promotores, a levar às empresas de seu contato a notícia de sua candidatura.

Se qualquer candidato a emprego puder compor dessa forma uma planilha com uns 10 nomes já terá um network de sucesso. Isso porque deverá visitar pessoalmente cada um dos seus "padrinhos" e só aí já serão 10 entrevistas. Se cada padrinho puder indicar outros nomes de suas relações para sua visita, serão certamente em torno de 20 entrevistas, o que pode facilmente levar à recolocação. Mesmo que, eventualmente, o candidato a emprego não consiga 10 nomes e fique nos 8 ou 5, já terá um ponto de partida para sua campanha via Network.

Entenda-se, porém, que os padrinhos de sua relação não deverão ser visitados para conseguir empregos em suas empresas e sim, basicamente, para saberem de sua busca e serem solicitados a apadrinhá-la. Claro que até pode acontecer que por aí já surja um emprego para o apadrinhado, mas o objetivo é essencialmente o de visitar os padrinhos para que eles possam ser bons promotores de sua candidatura no mercado.

Lembre-se, também, que os nomes que ficaram para trás nas triagens feitas não devem ser desperdiçados, na divulgação de sua candidatura para o mercado. Cada um deles deverá ser também devidamente informado de sua busca e até poderão, como grupo maior, ser artífices de sua contratação, ainda que os "padrinhos" em sua atuação mais calorosa sejam aqueles que mais provavelmente serão responsáveis, no final, por uma recolocação.

Não há, por outro lado, que sentir constrangimento em "apelar" para os seus padrinhos: V. os conhece, entende que o ajudarão quando necessário e que navegam nas águas que lhe interessam no mercado.

Para muitos de nós, precisar de outras pessoas para nos ajudar a resolver nossos problemas não é muito confortável; mas se V. efetivamente está buscando um novo emprego é preciso adotar uma estratégia de ataque global a todas as frentes promissoras do mercado. E como já vimos, um bom Network pode ser a chave do sucesso!

(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo, especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement.

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