Pitada
do especialista
por Laerte Leite Cordeiro(*)O EXECUTIVO: E A LIDERANÇA
Se juntássemos todos os textos escritos e
impressos sobre Liderança em todo o mundo, certamente encontraríamos quilômetros e
quilômetros de papel, abordando conceitos, modelos, técnicas, perfis, condições e por
aí afora.
Desde que McGregor, na esteira de Elton Mayo e outros, elaborando sobre
a Teoria de Motivação de Maslow escreveu o seu clássico "O Lado Humano da
Empresa" há mais de 40 anos (citado na antologia de Balcão e Cordeiro "O
Comportamento Humano na Empresa, ed. FGV,1967) apresentando suas clássicas Teoria X e
Teoria Y, que os incansáveis e mercadológicos professores universitários americanos vem
oferecendo seus "pacotes" de treinamento, direta ou indiretamente voltados para
a discussão do fenômeno da Liderança.
Assim ocorreu com os "Desejos Materiais e Motivacionais" de
Herzberg, o "Modelo de Comportamento Humano" de Leavitt, a "Grade
Gerencial" de Blake e Mouton, a "Liderança Situacional" de Paul Hersey, a
"Teoria 3-D" de Reddin e o "LIFO" de Allan Katcher, só para citar
alguns exemplos. Todos este "pacotes" tiveram seus momentos de maior glória,
mas ainda estão pelas empresas ajudando a aperfeiçoar e a desenvolver o relacionamento
entre chefes e subordinados e a melhorar as condições de liderança, nos seus executivos
de todos os níveis.
Mas o que é essa coisa tão importante, essa condição tão buscada
em todas as relações humanas? Sim, porque na família tem que ter um líder, na classe
da escola também, nas batalhas há lideres, no esporte a equipe tem que ter um líder e
na política não se fala de outra coisa! Em verdade, a Liderança é considerada
fundamental para que qualquer grupo alcance seus objetivos, consiga seus resultados e
promova a satisfação das suas necessidades. É a palavra da moda, nas empresas, nestes
últimos muitos anos.
Knickerbocker em seu excelente "Liderança - Um Conceito e como
Implementá-la" (citado na mesma Antologia) analisa, de forma clara e objetiva, a
natureza da Liderança. Ninguém nasce líder, ninguém é líder em todos os momentos e
em todas as circunstâncias; "carisma", de verdade, é um conceito frágil e a
condição de Líder emerge da efetiva eleição do grupo sobre quem é exercida, na
medida em que este ou aquele serve como "o melhor meio" para levar o grupo aos
seus objetivos e os participantes a satisfazerem suas necessidades.
O mais forte, o mais corajoso, o mais inteligente, o mais esperto, o
mais bonito, homem ou mulher, não são necessariamente líderes, diz Knickerbocker. A
Liderança é como um "spotlight" que circula pelos membros do grupo e se fixa
naquele que é visto como sendo o melhor meio, naquele momento e naquela situação, para
que o grupo possa melhor alcançar seus desígnios. O mais forte e o mais corajoso pode
ser o líder, embora o mais inteligente ou o mais esperto, o mais charmoso ou o melhor
orador possam também disputar a liderança do grupo, dependendo da situação.
Aquele líder carismático, que já nasceu líder ou que tem uma aura
geral e natural de Liderança, representa um conceito já superado. Conceito ainda mais
ultrapassado é o de que Líder é aquele que detém o poder formal sobre outras pessoas,
delegado por terceiros. Durante muito tempo o Chefe - no conceito de superior imediato -
era automaticamente visto como líder, simplesmente porque a organização lhe dava a sala
separada, o poder de premiar e punir, o maior salário, a secretária privativa e assim
por diante. Chefe é Chefe e quem tem juízo obedece, era o dito popular.
Quando o conceito de organização informal - a organização de
pessoas - começou a ser divulgado, em contraposição ao conceito de organização formal
- o organograma -, foi ficando evidente que em muitas organizações, a condição de
chefia não tinha o mesmo significado da condição de liderança; enquanto a chefia vinha
da delegação de autoridade de cima e era própria da organização formal, a liderança
era produto da escolha do grupo, portanto da organização das pessoas.
Hoje, felizmente, a ênfase está colocada muito mais na capacidade de liderança do
executivo, do que na sua capacidade de chefiar, usando a autoridade formal do cargo. E o
que quer dizer capacidade para liderar? Significa ser visto pelo grupo como o melhor meio
para levá-lo aonde ele quer ir, na hora certa! Quer dizer ser capaz de sentir, ouvir,
interpretar e atuar no sentido dos objetivos das pessoas que compõem a equipe. O bom
Chefe hoje é aquele que consegue integrar os dois papéis de forma eficaz, aproximando os
objetivos das pessoas e da organização.
Saber desenvolver a fórmula adequada para momentos, circunstâncias e
pessoas é a chave do sucesso de qualquer executivo, que quer ser chefe e líder. Se V.
acha que porque controla meios de satisfação de necessidades dos seus subordinados V.
"manda" neles, cedo aprenderá que não é tão simples assim;
"mandar" hoje significa comunicar, motivar, interessar, envolver, engajar,
comprometer e não impor, ameaçar, punir, assustar, prejudicar ou gritar. O cemitério
está repleto de Chefes "dinossauros" que não perceberam a mudança.
Agora, ser Chefe e Líder não é tarefa fácil e não são todos os
administradores que vão ter sucesso maior nessa tarefa. O que se recomenda é que cada
executivo atente para essas duas facetas da sua personalidade funcional e não se esqueça
que hoje em dia o seu sucesso profissional depende das pessoas que compõem sua equipe e
do que V. consiga realizar com elas, através delas. Liderar dá melhor resultado do que
"Chefiar"!
(*) Laerte Leite Cordeiro é Diretor
e Consultor Titular da Laerte Cordeiro Consultoria em Recursos Humanos em São Paulo,
especializada em Aconselhamento de Carreiras e Outplacement. |