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Pitada do especialista
por Edson Lobo(*)

Massacre no mercado

Sei que o titulo é um tanto forte, agressivo. No entanto, temos que reconhecer que é verdadeiro. Vou colocar aqui alguns acontecimentos recentes que levaram à essa conclusão:

  1. li um anuncio no Caderno de Empregos de um jornal de grande circulação de São Paulo, que uma empresa de produtos farmacêuticos buscava um Gerente de Marketing, com 2 anos de experiência e 2º grau completo.
  2. uma pessoa conhecida foi chamada para uma entrevista numa agencia de um dos maiores bancos brasileiros. Foi atendida por um dos diretores de uma empresa terceirizada e o trabalho era, mediante um contrato com essa terceirizada, vender produtos do próprio banco (seguros, aplicações, etc), no horário comercial e dentro da própria agencia. Seria remunerada mensalmente pela comissão apurada na porcentagem dos produtos vendidos. A porcentagem era mínima e não havia qualquer outro tipo de beneficio, nada.

3) um consultor foi chamado a uma empresa para resolver um enorme problema de vendas e imagem no mercado, de um produto com grande rentabilidade no portfolio da empresa. A remuneração proposta foi um fee de sucesso, mediante a analise das vendas a partir do inicio dos trabalhos. Ao perguntar se teria acesso ao faturamento da empresa para confirmar os números, recebeu uma negativa porque é um dado sigiloso.

4) em conversa com diversos profissionais e observando-se os anúncios de ofertas de empregos, é possível perceber o esmagamento das hierarquias internas, sendo que um cargo de gerencia hoje é de grande destaque numa empresa. Diretor então, nem se fala.

Mesmo sem ser dramático, o quadro acima é só a ponta do iceberg da situação inusitada na vida profissional do país. Esse esmagamento das hierarquias, a busca de profissionais sem experiência para um trabalho de alta importância, funcionários terceirizados agindo dentro das empresas, totalmente fora das leis trabalhistas, aproveitadores de todas as formas utilizando-se daquela conhecida Lei (o importante é levar vantagem...).

Sempre reforço que uma das piores coisas que aconteceu neste país foi achar que o “jeitinho brasileiro” é uma qualidade e não uma tremenda falha no caráter das pessoas. O “jeitinho brasileiro” pode ser um facilitador em algumas situações onde se exige uma maior compreensão, um credito ao valor humano, mas na vida profissional é um cancro para as empresas.

O governo é culpado pelo Brasil ter uma das maiores cargas de impostos do mundo. A tal Lei 232 está conseguindo unir todo o setor de prestação de serviços numa única voz de protesto. Mas quem colocou os governantes e, por tabela, os fazedores de Leis no poder?

A globalização nos trouxe maior visão de vida, acesso à informações preciosas, uma modernização jamais esperada, um avanço tecnológico incrível, milhões de benefícios para a população. Só não conseguiu transmitir algo precioso que nesse momento se faz tão necessário: ÉTICA E DECÊNCIA.

Os empresários se esforçam para produzir e ampliar ainda mais os horizontes das respectivas empresas e o governo dificulta cada vez mais esse trabalho. No entanto, as dificuldades por que passam os empresários brasileiros, em sua justa reclamação, não podem servir de desculpa para esse massacre aos milhares de profissionais desempregados, ofertas que fogem ao limite da decência, ao respeito, à valorização dos profissionais.

Sabem que as pessoas necessitam trabalhar e receber um salário para sobreviver e se aproveitam dessa fragilidade e então esmagar todas as condições visando um único ponto: você trabalha e eu ganho!. Isso mata a auto-estima e é a total desvalorização da profissão!

Talvez até pelo esmagamento dos quadros das empresas, essas ofertas absurdas são frutos de pessoas sem qualificação profissional, pessoas incompetentes que para preservarem seus empregos, forjam condições desumanas na busca dos novos funcionários.

Precisamos filtrar melhor nossos governantes, criar uma união maior na classe empresarial para brigar por seus direitos, repensar os valores do ser humano, lutar bravamente para então recuperar a ÉTICA e a DECÊNCIA e voltarmos a oferecer condições dignas aos profissionais que buscam seu lugar ao sol.

Parem com essas ofertas absurdas e tenham mais respeito aos profissionais!

(*) Edson Lobo é jornalista com especialização em Administração de Marketing.  Como jornalista, trabalhou durante 12 anos em diversas publicações da Editora Abril e posteriormente dirigiu a área de Comunicações e Assessoria de Imprensa de empresas como Shell, Dow, Johnson & Johnson, Banco BCN e Fininvest. Tem larga experiência em Varejo e Código de Defesa do Consumidor.

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