Pitada
do especialista
por Edson Lobo(*)Surdez empresarial
Lendo uma revista de grande circulação nacional, vi que um dos
articulistas chamava a atenção para a utilização indevida de certas palavras para
definir pessoas ou situações, como "esquizofrênico", "câncer",
"aids", "bipolar" e outras, que podem atingir as pessoas que são
portadoras dessas doenças e desestimulá-las dos respectivos tratamentos.
São fatos da vida e às vezes as utilizamos como uma metáfora, pois imediatamente
identifica uma determinada situação.
No entanto, com o perdão da má-palavra, vou descrever o que considero a
"surdez" empresarial, naturalmente utilizando como uma metáfora.
Vamos ao exemplo: como consultor de Imagem e Comunicação Empresarial, fui contratado
por um cliente para encontrar soluções onde a Comunicação pudesse alavancar vendas.
Nada de forfait só para valorizar a imagem institucional. O negócio era vender e
realizar lucro.
Foi então criado um Plano de Comunicação, com estratégia agressiva e um
investimento relativamente baixo, porém, com retorno previsto numa porcentagem
considerada muito boa para o valor investido. Claro, falar em investimento para
empresário é pior que xingar a mãe! Odeiam colocar dinheiro antes de qualquer
coisa!
O cliente leu e gostou do tal Plano, mas decidiu que ainda não era o momento. Iria
optar por outra estratégia e só algum tempo depois colocaria em prática. Pagou e
guardou.
Na seqüência, veio outro cliente, expôs seu problema e pediu um projeto para uma
ação rapidíssima de Comunicação. Estava perdendo mercado e precisava reagir.
Fizemos o projeto, modesto por sinal, ele aprovou. Iniciamos o trabalho e em dois meses
a empresa havia recuperado grande parte do terreno perdido anteriormente, lutando contra
fatores cruéis como a pirataria e o contrabando existente no setor.
Essa não é a primeira vez que acontece isso.
Voltando ao título do artigo, mesmo tendo problemas de mercado, quando você diz a um
empresário que ele precisa investir, isto é, colocar dinheiro num projeto, ele parece
que não ouve, se faz de surdo.
Todo dia lemos nos jornais, revistas ou sites, vemos na TV ou ouvimos no radio que tal
empresa foi comprada ou vendida, que tal empresa lançou ações na Bolsa, que tal empresa
se destacou nas vendas de determinado produto, e assim vai, mostrando que as empresas que
estão sempre no topo do ranking dos respectivos segmentos, investem, não só em
maquinas ou pessoal, mas também em Comunicação.
Temos à disposição no Brasil excelentes empresas, dos mais variados segmentos da
Comunicação, como agencias de Propaganda, de Promoções e Merchandising, de Relações
Públicas e Assessorias de Imprensa, especializadas nas varias ferramentas de Marketing,
temos ainda projetos de Incentivo, Endomarketing, mídia interativa, diversas ações
através da Internet, e muito mais.
É surpreendente que empresários e executivos de grandes, médias e pequenas empresas
ainda não se sintam seguros com relação às ações de Comunicação Empresarial.
Os Estados Unidos, país onde muitos brasileiros se espelham, tem tradição nessa
área. Lá, nada sai de uma empresa sem um plano de Marketing pré-estabelecido e ações
definidas.
Aqui no Brasil, já ouvi empresário dizer que "o boca a boca vai me levar até o
cliente"! Ora, vai esperar 20 anos até que consiga ser conhecido por uma parte dos
prováveis clientes. Até lá, a concorrência já tomou conta do pedaço e essa empresa
será só mais uma no mercado.
Senhores empresários: se não ouvem, ao menos leiam: não se consegue só criar um
produto maravilhoso. Tem que expor ao mercado, tem que gritar que existe, o que faz, para
que serve, quanto custa, etc. E rápido!
Marcas como Itaú, Casas Bahia, TAM, Unimed, Garoto, Gradiente, Grendene, Bradesco e
várias outras de origem brasileira, começaram humildemente, mas ao longo dos anos os
investimentos em Comunicação, além de bons produtos e serviços, as tornaram empresas
famosas.
Posso garantir que minha historia bate com a de muitos outros consultores, prestadores
de serviços, agencias, assessorias e também equipes de Marketing e Comunicação das
empresas, que levaram aos diretores os seus projetos e foram engavetados, "POR FALTA
DE VERBA"!
Que também contem suas historias.
Portanto, senhores empresários e executivos, quebrem essa resistência e passem a
ouvir mais, a ousar mais. Sem duvida, os resultados logo aparecerão e os lucros também.
(*) Edson Lobo é jornalista com
especialização em Administração de Marketing. Como jornalista, trabalhou durante
12 anos em diversas publicações da Editora Abril e posteriormente dirigiu a área de
Comunicações e Assessoria de Imprensa de empresas como Shell, Dow, Johnson &
Johnson, Banco BCN e Fininvest. Tem larga experiência em Varejo e Código de Defesa do
Consumidor. |