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Pitada do especialista
por Maria de Lourdes da Silva(*)

O Senhor não entendeu!

Seja qual for a nossa profissão, o nosso segmento de trabalho, em nossas atividades comerciais todos nós devemos usar uma linguagem falada e escrita sempre cordial, atenciosa, educada, confiável e eficaz.

Obviamente, essa linguagem deve ser comercial, de negócios. Ao contrário, podemos gerar uma insegurança em nosso interlocutor.

A linguagem comercial deve ser sempre formal, mas suave, sem pompas, sem rebuscamento, sem sofisticação, sem jargões, sem gírias, mas, veja, nem por isso podemos usar uma linguagem pobre, com erros gramaticais imperdoáveis.

No O Aprendiz 4, o Sócio, tenho visto o Roberto Justus corrigir, quase que com frequência, os erros gramaticais de seus participantes. Um funcionário quando representa a empresa onde trabalha, e aqui vamos entender de todos os níveis profissionais, deve prezar, tanto na escrita quanto na fala, pela clareza de pensamento, pela objetividade, pela coerência, coesão e pela gramática padrão, de seu texto.

Funcionários que se expressam mal, comprometem sua imagem profissional e a imagem da empresa, pois demonstram baixa escolaridade. Podem entender, perfeitamente das atividades de sua posição na empresa, de sua formação, mas ao se expressarem mal, deixam uma imagem ruim, deselegante e de pouca leitura.

O Senhor não entendeu!

Quem fala, quem escreve tem a obrigação de ser claro, de usar vocabulário adequado ao interlocutor, pois a comunicação somente se faz quando o ouvinte ou leitor entende perfeitamente a mensagem transmitida.

Se o seu cliente não entendeu o que você disse, jamais jogue essa falha na comunicação sobre ele, dizendo frases célebres como estas: você não entendeu o que eu quis dizer ou você não está entendendo e por aí vai.

Muito menos faça perguntas do tipo: você entendeu? O Senhor está entendendo? Você entendeu o que eu quis dizer?

Cuidado, pode ser que seu interlocutor não tenha mesmo entendido, mas pode ser que você não tenha sido claro, tenha usado uma linguagem inadequada, tenha usado expressões técnicas, jargões ou siglas desconhecidas de seu cliente.

Colocações ou perguntas como essas podem soar como uma diminuição da capacidade intelectual do seu ouvinte/leitor. Ele pode se aborrecer profundamente ao pensar que você está duvidando da capacidade dele.

Como fazer, então?

Ao perceber que não está havendo entendimento por parte de seu ouvinte/leitor, reveja o que você falou, reveja sua linguagem, reveja suas expressões e passe a mesma informação de uma outra forma, com outros vocábulos.

Assuma, atribua a você essa falha na comunicação e faça colocações assim: vou ser mais claro, vou dar outros exemplos, vou ser menos técnico, isso é complicado mesmo, não estou sendo muito claro, etc.

Não constranja o seu interlocutor. Você precisa dele.

Se houver dúvidas ...

Nos cursos de redação empresarial que ministro, percebo que é uma praxe se terminar cartas, e-mails com frases assim:

Estamos à disposição para quaisquer dúvidas.

Se o Senhor tiver dúvidas, pode nos procurar.

Estamos à disposição para desfazermos eventuais dúvidas.

Da mesma forma, não parta do princípio que você ao redigir a correspondência foi totalmente claro e que, novamente, é o seu leitor que não entendeu. Mais uma vez, não jogue essa falta de compreensão para cima dele.

É muito deselegante e fere suscetibilidades.

Além do mais, fechos desse tipo são o que há de inútil em uma correspondência, ninguém os lê, pois são chavões e muito antigos.

Prefira terminar suas correspondências com frases criativas e com cunho de encerramento de tudo o que foi dito acima.

(*) Maria de Lourdes da Silva é Especialista em Língua Portuguesa e em Didática do Ensino Superior, Graduada em Letras Anglo-portuguesas, com ampla vivência, experiência e com cursos de Redação Empresarial e Língua Portuguesa ministrados em grandes empresas. Sua empresa Ponto Cursos Empresariais (www.pontocursos.com.br) é qualificada pela Wec Desenvolvimento Empresarial.

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