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Pitada do especialista
por Antônio Inácio Ribeiro(*)

Medo de dentista

Inacreditável, ininteligível e até inadmissível em pleno século XXI, o renitente "medo de dentista", que é um indicador eloqüente de que a Odontologia evoluiu muitíssimo tecnicamente e pouco na sua imagem exterior, sinais evidentes de que ela precisa ser mais divulgada e promovida em seus avanços.

Os vários fatores psíquicos, psicológicos e psicossomáticos envolvidos, desde o temor cultivado na infância ("se não comer vou te levar no dentista") até a aceitação social da falta de dentes, são mais próprios para análise dos profissionais especialistas de cada área pertinente.

Ateremo-nos em pontos que podem ser minimizados ou contornados com iniciativas de marketing, para um melhor posicionamento da classe perante sua potencial clientela, algumas vezes distante exatamente por falta ou falha de comunicação, que embora simplistas, podem emprestar colaboração.

Indo direto ao ponto, um deles é o tempo de espera na sala de espera, que por este motivo deveria ter sua denominação trocada por ante sala, recepção, sala vip ou outro da preferência e conveniência de cada um, para não dar a idéia ao paciente, logo em sua chegada, de que irá ter de esperar.

Como boa parcela dos Cirurgiões Dentistas hoje trabalha com hora marcada, os pacientes imaginam que não deveriam esperar. Não por outro motivo, que não o martírio que para muitos significa momentos de estresse, angústia ou até pavor, principalmente quando alguns ruídos podem ser escutados.

Uma maneira de evitar atrasos poderia ser treinar melhor as atendentes responsáveis pela marcação da agenda, para balancear o agendamento, considerando e distribuindo os diferentes procedimentos durante o dia, como já abordamos nos livros Marketing Odontológico e Marketing para Atendentes.

Outra seria um trabalho constante, contínuo e incansável de desmistificar alguns, hoje, falsos mitos que podem levar medo aos atuais e futuros pacientes:

Motorzinho era o de corda, do tempo em que os aviões ainda tinham motor, já que hoje a maioria tem turbina, o que diminuiu consideravelmente o medo de avião ... e de dentistas.

Picada da agulha era no tempo em que ainda não existia o pré-anestésico e de quando as agulhas não eram tri-biseladas e siliconizadas. Cadeira de dentista metia medo quando ainda era quadrada e dura. Hoje é sabido por todos os CD’s (pena que não pela população) ser a mais confortável dentre todas.

Dentro deste conceito de mudança de imagem, o próprio símbolo da Odontologia, a serpente, que boa parte não sabe bem o seu significado ou sentido e da qual a maioria tem medo, poderia ficar só para os impressos oficiais das entidades, sendo substituída pela imagem mais bonita e atrativa, que é justamente uma das razões de ser da profissão: o sorriso.

Para completar os retoques na imagem do Cirurgião Dentista, que outrora eram predominantemente masculinos e hoje alegremente mais femininos, antes sisudos e de pouco diálogo (até pelo paciente estar de boca aberta e necessidades do profissional pela biossegurança), o bom humor.

Esta mudança pode ser desenvolvida pela troca do corriqueiro "jogar conversa fora", por algumas piadas ou estórias bem humoradas, que como contribuição reuni nos livros Odontopiadas e Odont’humor. Que se bem contadas, descontraem e ajudam a desmistificar a imagem do profissional.

A bem da verdade, todos nós gostamos mais de pessoas bem humoradas, que nos atendam com alegria e não raras vezes alguns radicalizam, não aceitando serem tratadas por pessoas que não o tenham. Tomara que em um dia não muito distante, muitos digam: "o meu dentista é muito legal, conta até umas piadas para distrair a gente".

(*) Antônio Inácio Ribeiro é Doutorando em Marketing pela ULR / Espanha, MBA em Marketing pelo ISAE / FGV, Especialista em Marketing pela PUC / PR, Pós-graduado em Marketing pela ADVB / SP, Administrador pela Universidade Mackenzie / SP, Autor de 22 livros, além de 220 artigos e colunas, Ministrador de 176 cursos e palestras.

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