Pitada
do especialista
por Rogério Martins(*)O poder do feminino nas organizações
As mulheres vêm ganhando cada vez mais espaço no mundo corporativo e isso não é
nenhuma novidade, mas ainda assusta muita gente. Em minha experiência profissional e
acadêmica tive o privilégio de conviver com muitas mulheres. Sempre comento com os
amigos que meu exemplo maior de liderança é de uma excepcional profissional que tive
como gestora, logo no início de minha carreira. Ela me ensinou muito mais do que a
atividade que exercia. Sua sensibilidade e paixão pelo que fazia e faz até hoje foram
sua marca registrada em mim.
Ao longo de minha carreira profissional tive diversas experiências diferentes no que
tange a convivência com gestores homens e mulheres. Percebi que há sutis e, às vezes,
consideráveis diferenças entre a gestão masculina e feminina. Destas minhas
experiências conclui que as mulheres, em geral, são mais tolerantes, intuitivas,
emotivas, mediadoras, generalistas e conseguem lidar com diversas atividades e pensamentos
ao mesmo tempo.
Na cultura oriental temos, através do TAO, uma interessante divisão entre masculino e
feminino (Yin e Yang). A força masculina é voltada para a razão, a agressividade, a
realização, o concreto, objetivo, a força. Em contrapartida, o feminino se revela
através da emoção, do sentir, da negociação, da contemplação, dos relacionamentos,
da afetividade.
No universo corporativo durante anos tivemos a velha máxima: manda quem pode e
obedece quem tem juízo. Esta frase revela fortemente o predomínio da visão
masculina, concreta, fria, focada somente nos resultados a qualquer custo. Aos poucos essa
forma de gerenciamento vem se modificando, principalmente com a presença cada vez maior
das mulheres em posições de comando. Sendo assim, hoje temos cada vez mais a
valorização do indivíduo, sua qualidade de vida, seus interesses, seus sonhos. Tudo
isso é fruto desta revolução silenciosa vinda através desta força feminina.
Como nos ensina o TAO, o mais importante não é o domínio de uma ou outra força, mas
o equilíbrio entre ambas. Por isso, o poder do feminino nas organizações é fator
primordial para o sucesso de pessoas, empresas, nações e negócios. Aqueles que
conseguem trabalhar estas forças de modo sensato e positivo, extraindo o melhor de cada
uma, sem dúvida estarão muito a frente no caminho do sucesso.
Seja homem ou mulher, experimente perceber em si mesmo e na organização que trabalha
como estas forças masculina e feminina estão presentes. Observe e pratique a
objetividade do universo masculino, mas tenha a sensibilidade do universo feminino para
saber o momento de ceder, recuar ou avançar ainda mais.
(*) Rogerio Martins é Psicólogo, Professor Universitário,
Consultor Organizacional e Palestrante sobre motivação, comportamento e gestão de
pessoas. Sócio-Diretor da Persona Consultoria & Eventos. Autor do livro
"Reflexões do Mundo Corporativo". http://www.personaconsultoria.com.br |