Pitada
do especialista
por Washington Sorio(*)O Profissional de RH que perdeu o emprego
Segundo um estudo americano, ficar sem emprego é a terceira maior dor que um ser
humano pode sofrer. A maior é perder um filho. A segunda é perder os pais. Há uma
imediata e inevitável sensação de fracasso. Pessoas sem emprego sentem-se sozinhas,
constrangidas e inferiores. A vida parece mais insípida, mais tênue.
A maioria das pessoas são definidas em termos de seus empregos e acabam recebendo um
sobrenome corporativo. Quantos de nós não conhecemos o Fulano da Xerox, o Beltrano da
Shell, o Sicrano do Bradesco, etc.
A verdade é que o emprego ajuda as pessoas a dizer a si mesmas e aos outros quem elas
são. A falta de emprego gera diversas implicações, como a baixa autoestima, ansiedade,
sensação de abandono e incompetência, fase de instabilidade emocional e desesperança,
intolerância nas relações familiares e sociais que são prejudicadas pela mudança no
status social e aumentam as preocupações com a vida financeira e os apelos de consumo.
Como executivo de Recursos Humanos, estou vivenciando essa experiência de ficar
à disposição do mercado e posso relatar três grandes lições:
1) Você descobre que a maioria dos seus amigos estavam ao seu lado somente pelo cargo
que você tinha; 2) Você passa a administrar melhor suas finanças; 3) Você descobre que
a maioria dos profissionais de RH não dão feedback.
Sempre tive a preocupação de fornecer feedback, no intuito de minimizar incertezas e
ansiedades. O feedback é parte fundamental do processo que visa orientar as pessoas a
apresentarem comportamento e desempenho adequados a uma determinada situação.
Todo feedback que recebemos em relação àquilo que realizamos é de essencial
importância para nosso aprendizado e crescimento. Através de um feedback podemos
modificar nossa maneira de encarar e lidar com determinados assuntos e ideias, e
trabalharmos com mais empenho se necessário, em busca de melhores resultados. Pessoas
bem-sucedidas sabem valorizar as críticas que recebem e aprendem a utilizá-las em
proveito próprio.
Se a área de Recursos Humanos já não suporta mais viver apenas nos seus moldes
tradicionais, agora, então, é a verdadeira hora de mostrar que o pensamento vai além do
discurso. Esse deve ser o momento da inovação.
Existe um limite para se continuar vivo, competitivo e produtivo. E são as pessoas que
podem ou não contribuir para esse sucesso. São os Recursos Humanos que fazem isso em
qualquer empreendimento.
Outro fato curioso é que conforme pesquisa da DBM - Drake Beam Morin do Brasil - mais
de 80% dos executivos são contratados através da rede de relações pessoais
(networking).
O grande segredo do networking é que quanto maior o número de pessoas que souberem
que você está buscando um emprego e do seu objetivo de continuidade de carreira, maiores
as chances de você ficar sabendo das oportunidades e de ser encontrado por alguém que
necessite de suas qualificações.
O mundo está cheio de oportunidades. Acredite! Eu só preciso encontrar uma empresa,
que não seja voltada para o conservadorismo, onde eu possa colocar em prática e
maximizar o uso dos meus conhecimentos, alinhando a gestão de pessoas com as estratégias
e necessidades do negócio.
(*) Washington Sorio é graduado em Administração de Empresas com MBA em Gestão de RH e
diversos cursos de especialização, tanto no Brasil como no exterior. Possui larga
experiência em posições especialistas e generalistas de RH, liderando diversos projetos
para as áreas de gestão, remuneração, T&D, recrutamento e seleção,
comunicação, entre outras. Sua carreira foi marcada pelo desafio de ajudar as empresas a
construírem diferenciais competitivos, sempre realizando grandes processos de
transformação e no start up de estruturas de RH. Alia diferenciada visão de negócios e
estratégica com grande sensibilidade interpessoal. Por sua consistente experiência
profissional, destacando também o respeito de seus liderados e a admiração de seus
pares, conquistados ao longo de uma carreira de sucesso, recebeu o Prêmio Gestão de
Pessoas "Luiz Carlos Campos", em 2005, como o "MELHOR PROFISSIONAL DO
ANO" concedido pela ABRH-RJ. Atualmente é Diretor de Recursos Humanos e
Desenvolvimento Organizacional do Grupo Ponte. |