Pitada
do especialista
por Washington Sorio(*)Cenários em 2010: uma odisseia em recursos humanos
O mundo está mudando com rapidez jamais vista, e a velocidade da mudança impacta as
organizações de maneira muito forte. Como se adaptar a essas mudanças e criar
ferramentas para continuar competitivo? Como administrar as pessoas para gerar as
mudanças necessárias? Estaremos percorrendo, de maneira cada vez mais veloz, uma estrada
que conhecemos cada vez menos. Por isto mesmo, antecipar os cenários de 2010 será um
atributo não teórico, mas ligado ao verdadeiro diferencial competitivo das
organizações uma verdadeira odisseia em Recursos Humanos.
Uma das mudanças mais importantes que ocorreram no ambiente de negócios nestes
últimos dez anos foi, sem dúvida, a absoluta ruptura nos padrões tradicionais da
estruturação de uma carreira profissional nas empresas e organizações: o emprego
vitalício passou a ser uma mera ficção.
Será, assim, indispensável que as empresas dediquem uma parcela importante do seu
tempo à reflexão sobre o futuro do seu ambiente de negócio. É nos períodos de grandes
mutações e incertezas que a arte de planejar ganha nobreza e prioridades maiores. Nas
grandes tempestades, a engenharia de voo entra em ação e torna-se fator crítico de
sobrevivência e segurança. Mas infelizmente, as pessoas confundem a arte da
antecipação de tendências e mudanças com adivinhação ou futurologia barata. Estudar
o futuro significa aumentar o campo e o conhecimento, para possibilitar a construção de
um caminho desejável e favorável para a organização.
Dando continuidade a esta reflexão, apresento uma visão futurística para que as
pessoas possam pensar e planejar estratégicas para que as mudanças não sejam
impactantes.
As prováveis mudanças que teremos em 2010 é que grande parte das pessoas vão
assistir televisão em notebooks. Os principais concorrentes das companhias aéreas serão
as empresas de telecomunicações, que por meio da videoconferência, estarão dando
"adeus a ponte aérea" e realizando reuniões virtuais em diversos locais. O
conhecimento disponível será dobrado e a internet será triplicada em números de
usuários e notícias, que serão lidas no momento da geração do fato e 90% dos
processos de recursos humanos serão diferentes dos padrões atuais.
Em 2010, o uso de redes on line para fins educacionais se intensificará e provocará
competição entre os melhores centros de ensino do mundo e as universidades nacionais.
Será um novo conceito de distribuição da educação, como se o mercado estivesse aberto
à importação.
A visão de treinamento será voltada para "ensinar a aprender", de forma a
liberar o potencial que cada indivíduo tem dentro de si. Será ensinar as pessoas a serem
criativas, flexíveis e generalistas em termos profissionais. Muitas atividades
profissionais se tornarão obsoletas e ser criativo será, cada vez mais, uma questão de
marketing e de sobrevivência profissional.
As Organizações vão operar cada vez mais em redes (networks) e o emprego tradicional
tende a diminuir drasticamente. A flexibilidade de horários será cada vez maior e mesmo
o trabalho tradicional será mais ainda feito em casa. Os serviços serão cada vez mais
importantes na formação do PIB. A inovação será um fator crítico de sucesso de
sobrevivência e as organizações vão destinar verbas cada vez mais volumosas para à
criação de novos produtos, serviços, sistemas e processos em um movimento obcecado rumo
ao novo. Diante das enormes dificuldades do ambiente externo, os talentos humanos serão
ainda mais escassos. Na eterna lei da oferta e da demanda, os profissionais talentosos
escolherão as empresas que oferecerem o ambiente humano mais propício ao seu
desenvolvimento e recompensar de forma mais justa o seu real valor.
As empresas de transportes e prestação de serviços melhorarão seu atendimento. Os
restaurantes passarão a comprar mais refeições semiprontas para reprocessamento e
utilizarão serviços just-in-time, durante a entrega, para satisfazer a rapidez
solicitada. Sistemas de informações e dispositivos inteligentes também serão
utilizados para aumentar a rapidez e a precisão do atendimento. A biotecnologia será
utilizada na alteração da produção e do processamento de legumes e carnes. Aumentará
consideravelmente o atendimento tipo self-service e com pagamento automático via smart
cards e sistemas de débito automático. Novos negócios surgirão de combinações entre
alimentação e varejo, a partir da busca de canais alternativos para vendas de alimentos.
No segmento de refeições, o fast food é o que mais crescerá. Já entre as modalidades,
a franquia é a que mais se expandirá em 2010. As grandes lojas de conveniência
continuarão a se expandir. O critério de conveniência será preponderante na escolha da
localização: próximo a cinemas, em shoppings, operações 24 horas.
Em resumo, o verdadeiro fator crítico em 2010 será, sem dúvida, a competência, num
nível de exigência muito maior, onde as pessoas serão "profissionais fora de
série" em tudo que estiver fazendo, seja a cada mês, a cada semana, a cada dia.
(*) Washington Sorio é graduado em Administração de Empresas com MBA em Gestão de RH e
diversos cursos de especialização, tanto no Brasil como no exterior. Possui larga
experiência em posições especialistas e generalistas de RH, liderando diversos projetos
para as áreas de gestão, remuneração, T&D, recrutamento e seleção,
comunicação, entre outras. Sua carreira foi marcada pelo desafio de ajudar as empresas a
construírem diferenciais competitivos, sempre realizando grandes processos de
transformação e no start up de estruturas de RH. Alia diferenciada visão de negócios e
estratégica com grande sensibilidade interpessoal. Por sua consistente experiência
profissional, destacando também o respeito de seus liderados e a admiração de seus
pares, conquistados ao longo de uma carreira de sucesso, recebeu o Prêmio Gestão de
Pessoas "Luiz Carlos Campos", em 2005, como o "MELHOR PROFISSIONAL DO
ANO" concedido pela ABRH-RJ. Atualmente é Diretor de Recursos Humanos e
Desenvolvimento Organizacional do Grupo Ponte. |