Pitada
do especialista
por Vinicius Barbosa(*)A cor na arquitetura comercial
Diversos estudos já foram feitos sobre a influência das cores no cotidiano. Os
chineses ditaram as regras do projeto harmônico através do tradicional Feng Shui, cujo
princípio fundamental é a organização espacial onde se busca o bem-estar e a
inter-relação saudável.
No dia-a-dia somos 'fisgados' por convidativos restaurantes e 'fast foods', cujas
soluções cromáticas não têm nada de aleatórias, pelo contrário, sabem muito bem
estimular o apetite do cliente (nem sempre somos atraídos pelos sabores!). E o
ambiente comercial não foge disso, muito pelo contrário, não deve descartar a
importância do projeto consciente.
Os cientistas concluíram que é possível influenciar com as cores não só o apetite,
mas também o humor, o entusiasmo, a concentração, a produção e várias outras
sensações que se tornam fundamentais no ambiente de trabalho - apesar de não notadas
pela maioria das pessoas. Dentro da empresa, a organização espacial aliada a um
estudo cromático e luminotécnico define as áreas específicas: administração/
coordenação, produção, reunião e inspiração.
Cada uma destas áreas deve ser caracterizada por soluções distintas, como materiais
de acabamento/revestimento, mobiliário e iluminação adequados. E tudo isso dentro
de uma linguagem de cores apropriada, condizente às necessidades dos ambientes: a sala de
reunião tem função diferente da sala dos projetistas, que é de produção; o diretor
precisa de um ambiente adequado à recepção eventual de clientes; o contrário do
contador, que requer uma boa concentração.
Nem todo mundo compreende a razão da melhora da produção da equipe, do bom
relacionamento entre os empregados, da motivação da empresa em geral, mesmo porque isso
é papel do profissional especializado. Muito mais difícil é convencer antes de
elaborado o projeto, pois é aí que o leigo não enxerga mesmo! Mas, é importante
o arquiteto ser claro nas suas exposições, assim como o cliente precisa ter
discernimento suficiente para compreender que, mesmo com o encarecimento causado por
algumas soluções aplicadas, materiais especificados, e até mesmo o projeto de valor
mais alto (está aí embutido o conhecimento), o retorno, que pode variar entre médio e
longo prazos, compensa esse investimento inicial."
(*) Vinicius Barbosa é Arquiteto e Urbanista, com diversas premiações. |