Pitada
do especialista
por Vinicius Barbosa(*)Sala de Descompressão: utopia ou
necessidade?
Não chega a ser incomum o número de turistas, brasileiros
especialmente, que se admiram com o fechamento do comércio na hora da sesta nas regiões
mediterrâneas de Itália e Espanha. Os benefícios do descanso após o almoço já foram
motivo de estudo pela Nasa, que verificou um aumento considerável de performance do
indivíduo quando da dedicação de alguns minutos de repouso no meio de uma jornada.
Na China, a sesta - xiu-xi - é compulsória, amparada constitucionalmente(!).
No Japão, as empresas normatizaram os 'salões de sesta'. Nos Estados Unidos e Europa,
além do cochilo ser considerado saudável, virou um "way of life" nos
ambientes de trabalho.
No Brasil, é ainda embrionário o conceito das "salas de descompressão".
Mas, onde foram implantadas já são um grande sucesso. Funcionários de corporações
como Citibank, SulAmérica e Infraero fazem contas do ganho de qualidade de vida. E as
empresas, por sua vez, do ganho de produção proporcionado pelas salas, que variam de
acordo com o clima organizacional, verificado basicamente por pesquisas junto aos
próprios funcionários.
Os ambientes podem ser unicamente para o descanso, ou setorizados de acordo com a
necessidade e o porte da empresa, oferecendo TV, sala de jogos, música, café... Há
ainda os mais incrementados, com poltronas de relaxamento e massagem - em alguns casos, os
funcionários são treinados a desenvolver técnicas de relaxamento, respiração e
automassagem. Algumas companhias já solicitam aos arquitetos que projetem as salas de
descompressão em conjunto com os consultórios especializados, que fazem pacotes de
serviços de massagem terapêutica. Tudo em nome do bem-estar do funcionário.
Os preciosos momentos de relaxamento nas salas de descompressão não são privilégio
daqueles que têm tarefas consideradas estressantes, como policiais, operadores da bolsa
ou motoristas de ônibus. Pelo contrário. Por aqui, as primeiras salas surgiram em
ambientes como agências de publicidade e empresas de comunicação. Com uma arquitetura
bastante alternativa, e equipamentos que estimulam a criatividade ou que 'desligam', os
funcionários têm total flexibilidade de tempo de permanência no ambiente. Sabe-se da
distinção de comportamento entre os povos, mas, chegará o dia que não será mais
utópica a idéia de satisfação dentro da empresa, mesmo em nosso país, e o ato de
produzir voltará a ser um prazer."
(*) Vinicius Barbosa é Arquiteto e Urbanista, com diversas premiações. |