Pitada
do especialista
por Vinicius Barbosa(*)À luz do projeto
" Não existiria som se não houvesse o
silêncio. Não haveria luz se não fosse a escuridão ". Nem somente de romantismo
vive nosso admirável Lulu Santos.
De suas letras podem surgir aproveitáveis aulas técnicas de acústica
e luminotécnica! Como ambos os temas são extremamente ricos, na coluna desta semana
será tratada somente a importância da luz no ambiente de trabalho, ficando para uma
próxima oportunidade a abordagem de técnicas capazes de manter uma saudável qualidade
acústica na empresa.
Sempre que trato desse assunto, me vem à cabeça o escritório do
arquiteto americano Frank Lloyd Wright, famoso por tantas significativas obras, tais como
a do Museu Guggenheim de Nova York. As dezenas de pranchetas eram iluminadas especialmente
através do imenso plano de vidro da fachada, que trazia luz natural em abundância ao
salão dos arquitetos de pé-direito duplo, o que representava além de economia na conta
no final do mês, uma qualidade ambiental bem superior aos locais em que normalmente se
necessita do uso da luz artificial.
No Brasil, em determinadas épocas e regiões o excesso de luz natural poderia ser um
problema, caso essa solução não fosse aplicada alinhadamente a elementos de moderação
solar parcial e programada, como os brises de fachada. Belo exemplo disso é o edifício
do Ministério da Educação e Cultura, no Centro do Rio de Janeiro, projetado por
alguns dos mais brilhantes arquitetos da Era Moderna: Le Corbusier, Niemeyer e Lúcio
Costa. Sem interferir negativamente na estética do edifício, muito pelo contrário, os
brises permitem aos funcionários um dia inteiro de trabalho sob luz natural, atenuando a
sensação de clausura e insatisfação.
Mas, nem sempre podemos lançar mão da luz solar. Nesses casos é
preciso um projeto luminotécnico sério, o que pode acarretar custos extras, porém
infinitamente pouco significativos diante dos benefícios capazes de gerar. O bom projeto
é o que gera a iluminação da forma mais natural e coerente nos diversos ambientes da
empresa. O caderno de especificações de um arquiteto deve ser seguido e respeitado
fielmente, pois cada elemento tem sua razão, é a síntese de sua experiência, sendo que
a ausência ou a substituição de qualquer um, além de um desrespeito ao profissional,
põe em risco o sucesso da solução adotada."
(*) Vinicius Barbosa é Arquiteto e Urbanista, com diversas premiações. |